quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Haddad diz que STF deve lidar com impacto do Caso Master na corte

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acredita que o Supremo Tribunal Federal vai encontrar caminhos para lidar com o impacto que o “Caso Master” causou na imagem da corte. O ministro falou em entrevista ao portal Metrópoles nesta quinta-feira.

“Mas eu acredito assim, que o presidente Fachin está com o melhor ânimo para dar uma resposta a isso da maneira adequada e vai encontrar o caminho junto aos seus pares de fazer. E isso vale para… não é Supremo, isso tem que valer para todas as instituições. Se você está com um problema institucional, você tem que ter os mecanismos internos de saneamento. E você não pode ter medo de sanear, porque é nesse gesto que você recupera a credibilidade institucional”, disse.

Segundo o ministro, o almoço entre ele, o presidente Lula e o ministro Dias Toffoli, que é relator do “Caso Master” no STF, foi sobre esse tema. O presidente defendeu que é preciso dar uma resposta à sociedade, afirmou Haddad.

“Ele falou: nós temos uma oportunidade de fazer o trabalho de combate ao crime, de combate à corrupção, pelo andar de cima. É uma oportunidade que nós temos de dar uma resposta para a sociedade. E por isso que eu insisto nisso: quando você, diante de um problema, responde da maneira adequada, você fortalece as instituições”, aponta.

Além do “Master”, o ministro tocou em outros assuntos. Defendeu mudanças na Constituição para fazer integração em nível nacional para combater o crime organizado:

“O Estado, ele tem o monopólio do uso legítimo da violência, mas para que isso seja dosado na medida da necessidade de assegurar a segurança da sociedade, tem que vir acompanhado da inteligência. E não existe inteligência local. É isso que os governadores da direita não estão compreendendo. Não existe inteligência localizada, porque o crime não está localizado. Ele transcende o estado e, quando o caso é grave, transcende as próprias fronteiras nacionais”, afirmou.

Sobre o comunicado do Banco Central que indicou a possibilidade de corte dos juros em março, o ministro disse que a redução vai ajudar na dívida pública, que subiu 18% no ano passado.

“O anúncio de ontem de que vai começar a cortar juro vai fazer essa trajetória se acomodar num patamar razoável. Porque, na verdade, pagando 10% de juro real, não tem superávit primário compatível com a estabilização da dívida. A nossa dívida é ‘Selicada’. Ela… você aumenta a Selic, você aumenta a dívida”, completou.

Haddad afirmou que vai sair do cargo em fevereiro e que o substituto vai ser definido pelo presidente Lula. O número dois da Fazenda, Dario Durigan, é o principal cotado. 



Fonte: Radioagência Nacional – EBC