“Quando venta, a gente não dorme com medo da casa cair. Molha tudo dentro. As crianças choram, entram em pânico. A gente só quer segurança e dignidade”, relata Marilza Eleutério de Barcelos Silva, uma das lideranças da comunidade Lagoa Park, em Campo Grande.
Segundo a moradora, 215 famílias vivem no local, incluindo 137 crianças, além de idosos, pessoas acamadas e com deficiência. “Não temos água, luz ou esgoto instalados. Tudo é improvisado. O que a gente mais precisa é ter essa segurança, poder ficar tranquilo dentro de casa quando chove ou faz frio”, desabafa.
A situação precária se repete pela região. “Hoje estamos correndo atrás da regularização e do saneamento básico. A água e a luz que usamos são ‘gato’. Estamos lutando pelo mínimo; regularização das favelas já”, reforça Leila Pantaleão, outra liderança da ocupação.
O Cenário das Favelas na Capital
Segundo dados da Associação das Mulheres das Favelas de Mato Grosso do Sul, Campo Grande possui 62 favelas ou ocupações urbanas, com cerca de 40 mil pessoas vivendo sem escritura, saneamento, transporte e serviços básicos. A entidade explica que favela não é apenas barraco de lona, mas qualquer região sem o mínimo de infraestrutura e dignidade.
Diante desse cenário, o vereador Landmark Rios (PT) propôs a realização da Audiência Pública de Regularização das Favelas, marcada para o dia 14 de novembro, às 8h, na Câmara Municipal de Campo Grande, com o apoio da deputada estadual Gleice Jane (PT).
O evento reunirá representantes da União, do Governo do Estado e do Município, além de movimentos sociais, entidades de assistência e lideranças comunitárias.
“São milhares de famílias que vivem esquecidas, muitas há décadas. Nosso papel é abrir espaço para que essas pessoas sejam ouvidas e para que o poder público assuma suas responsabilidades. Essa audiência é o primeiro passo para construir soluções concretas, com presença e compromisso”, destacou o vereador Landmark Rios.
A deputada Gleice Jane, que participou da visita à comunidade Lagoa Park com o vereador, reforçou a importância de dar visibilidade à realidade das famílias.
“A visita na Lagoa Park foi muito importante para conhecermos de perto a vida das pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade, mas que também têm um enorme potencial de trabalho e organização. Vi muitas mulheres, mães de família, com seus filhos, lutando por um lugar digno para morar. O poder público precisa garantir a essas mulheres segurança e moradia”, afirmou.
A audiência será aberta ao público e busca reunir propostas e compromissos que possam dar início ao processo de regularização fundiária, levando dignidade às famílias que vivem nas comunidades e ocupações da Capital.
Texto: Renan Nucci
Foto: Pedro Roque








