Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Votação de requerimentos e discussão e votação do relatório parcial. Dep. Luiz Carlos Hauly (PODE - PR) e Dep. Julio Lopes (PP - RJ)
Comissão Externa sobre os Atos de Pirataria e a Agenda do “Brasil Legal”

A Comissão Externa sobre os Atos de Pirataria e a Agenda do “Brasil Legal” aprovou, nesta terça-feira (1º), o relatório parcial do deputado Julio Lopes (PP-RJ). O documento reúne denúncias de audiências públicas e apresenta propostas legislativas para enfrentar a pirataria, o contrabando, o descaminho, a sonegação fiscal e a contrafação (cópia ou imitação não autorizada).

Julio Lopes esclareceu que optou pelo relatório parcial para permitir que outras sugestões sejam alinhadas com o cenário institucional e com as próximas ações de governo.

Segundo o relator, o mercado ilegal causa um prejuízo anual de cerca de R$ 500 bilhões ao país, somando perdas da indústria e sonegação de impostos.

“O que se consolidou no país, nos últimos anos, é uma economia subterrânea bilionária e altamente sofisticada, articulada com engrenagens do crime organizado transnacional, de facções armadas e de milícias”, alertou o parlamentar.

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Votação de requerimentos e discussão e votação do relatório parcial. Dep. Julio Lopes (PP - RJ)
No relatório, Lopes aponta uma “canibalização do mercado formal” pelo crime organizado

Canibalização do mercado

No relatório, Lopes aponta uma “canibalização do mercado formal” pelo crime organizado. Entre as práticas identificadas, estão:

  • controle territorial sobre a venda de botijões de gás de cozinha e serviços clandestinos de telecomunicações;
  • furto e adulteração de combustíveis;
  • contrabando de cigarros e defensivos agrícolas;
  • desvio de energia elétrica;
  • venda de remédios falsificados e produtos piratas em plataformas digitais.

Para enfrentar o problema, o deputado defende uma transformação estrutural na capacidade de fiscalização do Estado. As medidas sugeridas envolvem o uso de inteligência artificial, a rastreabilidade de mercadorias, a modernização alfandegária e a responsabilização de plataformas de comércio eletrônico (marketplaces).

Agência Antimáfia e novos sistemas

O relatório traz três propostas prioritárias da comissão externa:

1) Agência Antimáfia: proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria a Autoridade Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas. “Essa ação visa identificar aqueles que estruturam, dentro do setor econômico, a atuação e a sobrevivência de verdadeiras máfias em áreas estratégicas, como a do gás”, explicou Lopes.

2) Sineoc: projeto de lei que institui o Sistema Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas para articular órgãos públicos. Segundo o relator, a estrutura não interfere no Sistema Único de Segurança Pública (Susp) nem na Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla).

“O Sineoc não pretende substituir mecanismos consolidados. Seu propósito é qualificar a articulação estratégica voltada à asfixia financeira e logística do crime organizado, investigar a infiltração em mercados formais e reforçar a cooperação internacional”, detalhou.

3) Combate à pirataria digital: projeto de lei que endurece o combate a produtos falsificados na internet e aumenta penas para violação de direitos autorais e de propriedade intelectual.

“Queremos a perda imediata das mercadorias apreendidas para dar mais agilidade ao processo”, defendeu.

Após a votação, parlamentares e representantes do setor produtivo lançaram o Movimento Brasil Legal no Salão Nobre da Câmara dos Deputados.

Fonte: Câmara dos Deputados – Palácio do Congresso Nacional