Mais um capítulo triste na história do maior hospital do Estado. A crise financeira da Santa Casa de Campo Grande se agravou nesta quinta-feira (30). O hospital anunciou a suspensão dos atendimentos ambulatoriais e das cirurgias eletivas por falta de insumos, materiais cirúrgicos e atraso no pagamento de médicos contratados como pessoa jurídica (PJ) e autônomos. A direção também alertou que, caso a situação não seja resolvida nos próximos 30 dias, os profissionais poderão pedir desligamento coletivo da instituição.

O anúncio foi feito pela diretora clínica da Santa Casa, Izabela Falcão, em vídeo divulgado nas redes sociais do hospital. Segundo ela, a decisão foi tomada em conjunto com os chefes de serviço para garantir a segurança dos pacientes e preservar condições mínimas de trabalho para as equipes médicas.

Apesar da suspensão dos procedimentos eletivos, os atendimentos de urgência e emergência continuam normalmente. Também seguem em funcionamento os serviços de hematologia, oncologia e transplante renal, devido à complexidade dos pacientes atendidos.

Entre as especialidades que podem ser afetadas por uma eventual saída em massa dos médicos estão cirurgia geral, cirurgia pediátrica, cirurgia cardíaca, cirurgia cardíaca pediátrica, cirurgia vascular, cardiologia intervencionista, urologia, ortopedia, radiologia intervencionista, ultrassonografia e psiquiatria.

Paralelamente ao anúncio da suspensão dos serviços, a Santa Casa protocolou uma manifestação na Justiça pedindo uma decisão urgente para receber R$ 26.564.109,41 em repasses considerados atrasados. Desse total, R$ 15,3 milhões seriam de responsabilidade da Prefeitura de Campo Grande e R$ 11,1 milhões do Governo do Estado.

O hospital solicita que a decisão seja cumprida imediatamente e também pede a prorrogação, por mais 30 dias, do contrato vigente, garantindo os repasses do mês de agosto enquanto um novo convênio é negociado.

Segundo a instituição, a falta de atualização monetária dos repasses desde dezembro de 2025 provocou um déficit de aproximadamente R$ 20 milhões. Além disso, a Santa Casa defende a celebração de um novo contrato, elevando o repasse mensal de R$ 32,7 milhões para R$ 45,9 milhões, valor que considera necessário para manter o funcionamento da unidade.

Impasse

O município afirma que mantém os pagamentos com base no convênio anterior, prorrogado sucessivamente por decisões judiciais, e argumenta que a Santa Casa não estaria cumprindo integralmente as metas de atendimento. Já o Governo do Estado sustenta que os repasses estaduais estão em dia e que participa das negociações para evitar prejuízos à assistência.

Enquanto o impasse permanece sem solução, a direção da Santa Casa alerta para o risco de colapso na assistência hospitalar, caso os recursos não sejam liberados e a situação financeira não seja regularizada nos próximos dias.