A literatura, a música e a arte abriram espaço para novas experiências nesta terça-feira, dia 9 de junho, na Unei Novo Caminho, em Campo Grande. Seis adolescentes em internação provisória participaram de oficinas promovidas por acadêmicos dos cursos de Letras, Artes e Música da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em uma iniciativa desenvolvida em parceria com o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (GMF) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Desenvolvido pela UFMS como projeto de extensão universitária, o LetrArte leva para dentro das unidades socioeducativas atividades baseadas em literatura, música e outras manifestações artísticas. A aproximação entre universidade e sistema socioeducativo é um dos pilares da iniciativa.
Realizado em parceria com o GMF, sob o comando do Des. Fernando Paes de Campos, e a Superintendência de Assistência Socioeducativa (SAS), o projeto busca ampliar o acesso dos adolescentes a atividades educativas e experiências culturais ao mesmo tempo em que cria oportunidades de contato com diferentes espaços de formação e conhecimento.
As oficinas também dialogam com as diretrizes da Agenda da Justiça Juvenil, estratégia nacional coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) voltada à garantia dos direitos de adolescentes a quem se atribui a prática de ato infracional. A expectativa é que as atividades tenham continuidade e possam ser levadas, gradualmente, a outras unidades socioeducativas da capital e do interior do Estado.
Para a assessora técnica do GMF que acompanha as ações nas unidades socioeducativas, Ana Maria Assis de Oliveira, a iniciativa amplia as oportunidades de desenvolvimento dos adolescentes durante o cumprimento da medida socioeducativa. “Mais do que levar atividades culturais para dentro das unidades, a proposta é aproximar os adolescentes da comunidade acadêmica e criar oportunidades de convivência e troca de experiências”, afirmou.
A servidora do TJMS destaca ainda que o processo socioeducativo não deve se limitar ao período de internação. “A medida socioeducativa não deve se restringir à privação de liberdade. É importante que esses adolescentes tenham acesso a atividades educativas, culturais e de integração com a sociedade, é um direito deles”, completou.
O impacto das atividades também é percebido no cotidiano da unidade socioeducativa, como afirma o diretor da Unei Novo Caminho, Ronaldo Viana Taveira. Segundo ele, ações como esta, que aproximam os adolescentes da cultura e do conhecimento, são essenciais para fortalecer o trabalho desenvolvido junto aos jovens.
“A oferta de atividades culturais e educativas é fundamental para o processo socioeducativo. Essas experiências ajudam os adolescentes a desenvolverem novas habilidades, ampliar sua visão de mundo e refletir sobre suas perspectivas para o futuro”, destacou.
A experiência foi bem recebida pelos jovens que participaram da atividade. Um dos adolescentes contou que já tinha interesse por rap e hip-hop antes da internação, mas encontrou nas oficinas uma oportunidade de aprofundar esse contato com a arte. Para ele, a música e a escrita ajudam a enfrentar momentos difíceis, estimulam a criatividade e permitem enxergar novas perspectivas para o futuro.
“Na arte a gente vê outras realidades, descobre talentos que nem sabia que tinha e encontra muitas coisas boas. Quando estou num dia triste, pensando só em coisas negativas, eu pego uma canção para ler ou começo a imaginar uma letra. Vou criando, exercitando a criatividade, e isso ajuda muito. É muito bom para o psicológico”, relatou o jovem de 17 anos.
A formação pela arte também está no centro da proposta pedagógica do LetrArte. Coordenadora do projeto, a professora da UFMS Luciene Pereira explicou que as oficinas unem literatura, música, fotografia, pintura e audiovisual para estimular a leitura, a interpretação e a reflexão sobre as experiências dos próprios participantes.
“Acreditamos na formação pela arte e que a arte é libertadora por si só. Ela possibilita que a gente se conheça mais como ser humano. A proposta também contribui para a formação dos acadêmicos envolvidos, que encontram nas ações de extensão uma oportunidade de desenvolver a prática docente em diferentes contextos sociais”, destacou.

Fonte: Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul – TJMS