A morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, levou a Polícia Civil a uma investigação que revelou a possível atuação de um grupo virtual envolvido em discursos de ódio, coerção de adolescentes e incentivo a atos de violência extrema. A Operação Lívia foi deflagrada nesta terça-feira (4) por equipes de cinco estados e também apura um possível plano de ataque durante o período eleitoral de 2026.

Ao todo, cinco adolescentes são alvo de mandados de internação, além de um adulto que teve a prisão preventiva decretada. Quatro dos cinco adolescentes já haviam sido apreendidos. Também são cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro.

A investigação começou após a morte da adolescente, registrada em 22 de julho, em Naviraí. A Polícia Civil apura se ela participava de comunidades virtuais, principalmente no Discord, onde teria sido submetida a pressão psicológica, humilhações, ameaças e desafios violentos.

Segundo os investigadores, integrantes do grupo teriam incentivado a menina a praticar automutilação e a cometer suicídio durante uma transmissão ao vivo. Outra adolescente também teria sido submetida a estímulos semelhantes durante a mesma transmissão, mas deixou a live antes de concluir os atos.

A apuração aponta ainda que o grupo utilizava o Telegram para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e discursos de ódio, principalmente contra mulheres. Entre os alvos estariam mulheres que ocupam cargos de autoridade. Os integrantes também são investigados por utilizar ambientes virtuais para atrair adolescentes, submetê-los à coerção psicológica e compartilhar imagens produzidas durante essas ações.

Outro ponto investigado é a possível preparação de um ataque durante as eleições de 2026. Os investigadores encontraram indícios de mobilização e planejamento que ainda serão analisados para determinar o nível de organização e a participação de cada integrante.

Após a morte da adolescente, supostas mensagens atribuídas aos participantes dos grupos começaram a circular nas redes sociais. O conteúdo está sendo submetido à análise da Polícia Civil, que busca confirmar a autenticidade das mensagens e identificar os responsáveis pelas interações com a vítima.

Além dos crimes relacionados à adolescente, a operação apura outras possíveis práticas criminosas, entre elas a indução de outras pessoas à automutilação e ao suicídio e suspeitas de maus-tratos contra animais.

A operação conta com apoio técnico do Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, e integra as ações de enfrentamento à misoginia digital desenvolvidas pelo Cims (Centro Integrado Mulher Segura).

Os equipamentos eletrônicos e demais materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados serão periciados. A análise deverá ajudar os investigadores a identificar outras pessoas ligadas ao grupo, mapear as conexões entre os envolvidos e esclarecer a participação individual nos crimes investigados.

Como parte dos alvos é formada por adolescentes, as medidas judiciais seguem as normas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. A investigação continua para esclarecer as circunstâncias da morte da menina e verificar a dimensão das atividades atribuídas ao grupo.