Quatro pessoas foram presas preventivamente nesta segunda-feira (14) durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à merenda escolar de Água Clara, a cerca de 200 quilômetros de Campo Grande.
Além das prisões, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão no município. Segundo o MPMS, a investigação começou a partir de provas obtidas na Operação Malebolge, deflagrada em fevereiro do ano passado, e apontou o envolvimento de servidoras públicas e um empresário local.
Conforme a apuração, as servidoras teriam solicitado vantagens indevidas ao empresário e, para viabilizar os pagamentos, superfaturavam ordens de compra emitidas pela Prefeitura. Os investigadores apontam ainda que os alimentos pagos com recursos públicos não eram entregues integralmente às escolas, o que teria provocado prejuízo aos cofres públicos.
A operação foi batizada de “Barattieri”, referência à Divina Comédia, de Dante Alighieri. Na obra, o termo identifica pessoas que negociavam funções públicas em troca de vantagens, em alusão às suspeitas de corrupção investigadas pelo Gaeco.
A apuração é um desdobramento da Operação Malebolge, que em fevereiro do ano passado cumpriu 39 mandados de busca e apreensão em Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos. Na ocasião, o MPMS investigava uma organização suspeita de direcionar licitações para beneficiar empresas e pagar propina a agentes públicos.
Segundo o Ministério Público, os contratos investigados na operação anterior ultrapassavam R$ 10 milhões e envolviam supostos pagamentos a servidores que teriam atestado falsamente o recebimento de produtos e serviços. As investigações da Operação Barattieri continuam para identificar a extensão dos desvios e os demais envolvidos.