Três pessoas foram presas nesta quarta-feira (7) durante a segunda fase da Operação Dirty Pix, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos destinados à saúde em Mato Grosso do Sul. A ação é realizada pelo Ministério Público Estadual (MPMS), por meio do Gecoc e do Gaeco, e cumpre ainda 25 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.

Entre os presos está o diretor-presidente do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia, o empresário Jacob Breure. Também foram presos o ex-assessor e articulador político Júlio César Alves da Silva e a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho, que foi candidata a vereadora em 2024 e ficou como suplente.

A nova etapa da investigação apura desvios relacionados à compra de um aparelho de ressonância magnética e de uma autoclave hospitalar. Os equipamentos seriam adquiridos por meio de um convênio firmado entre o Governo de Mato Grosso do Sul e a entidade responsável pela gestão do hospital.

Segundo o MPMS, os desvios investigados nesta e na primeira fase da operação ultrapassam R$ 18 milhões. As investigações apontam que recursos públicos destinados à compra de equipamentos e materiais hospitalares, uma UTI móvel e obras de reforma teriam sido utilizados em um esquema que envolvia planos de trabalho com informações fraudulentas, superfaturamento e direcionamento de contratos para empresas ligadas ao grupo investigado.

Ainda conforme o Ministério Público, depois que os recursos eram depositados nas contas da entidade, parte do dinheiro era desviada por meio de movimentações financeiras, incluindo repasses diretos e indiretos a agentes políticos, intermediários e outras pessoas. As investigações também apontam o uso de transferências via Pix para pagamentos que seriam relacionados ao esquema.

Durante a operação, equipes do Gaeco e do Batalhão de Choque cumpriram mandados em diferentes endereços. Entre os locais estão o escritório de uma contadora responsável pela gestão de contrato do hospital e empresas ligadas a Jacob Breure, incluindo a Impact Máquinas e a Global Produtos Agrícolas.

A primeira fase da Dirty Pix foi deflagrada em novembro de 2025 e identificou suspeitas de desvios relacionados a outros convênios da instituição. Na ocasião, segundo o MPMS, foram identificados R$ 5,4 milhões em recursos públicos que teriam sido desviados. Júlio César já havia sido alvo da investigação e apontado como operador do esquema, com suposto benefício de R$ 485 mil.

A defesa de Jacob Breure informou que o empresário está à disposição para colaborar com as investigações. O advogado de Júlio César afirmou que o processo tramita em sigilo e que ainda não teve acesso aos autos desta nova fase. O hospital e o prefeito de Sidrolândia, Rodrigo Basso, foram procurados, mas não haviam se manifestado até a publicação das informações utilizadas nesta matéria.