Após chegar a Miami com a família, o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta na qual se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, contestou o resultado da eleição presidencial e acusou autoridades brasileiras de perseguição política. No documento, divulgado inicialmente por aliados, ele também agradeceu aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, e afirmou que pretende comandar a oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir do exterior.

Flávio perdeu o segundo turno realizado no domingo (25). Segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59,8 milhões de votos do senador, que obteve 48,21%. A diferença foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

Na carta, o senador alegou que houve fraude eleitoral e questionou a extensão do horário de votação em algumas localidades. Ele afirmou que Lula teria recebido mais de 10 milhões de votos adicionais em relação ao primeiro turno por causa de decisões judiciais. O documento, porém, não apresentou provas que sustentassem a acusação.

Dados divulgados pelo TSE mostram que 34.393 votos foram registrados após as 17h no segundo turno, período relacionado à extensão do horário em determinadas localidades. O total é muito inferior à diferença de votos entre os dois candidatos. O partido de Flávio também havia solicitado a ampliação do horário de votação em 17 municípios, segundo informações publicadas pela imprensa.

O senador também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e classificou como perseguição política a decisão que determinou a entrega de seus passaportes. Flávio deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira, após passar pela Argentina e pelo Equador em um voo particular com a mulher e as duas filhas. A ordem judicial havia sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

No documento, Flávio afirmou que pretende assumir a liderança da oposição brasileira a partir dos Estados Unidos. Ele também pediu que a comunidade internacional não trate a situação política do Brasil como normal e citou figuras históricas que atuaram politicamente fora de seus países.

A carta foi divulgada inicialmente por aliados do senador. Segundo a Agência Estado, a assessoria de Flávio e o coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL), foram procurados para confirmar a autenticidade do documento, mas ainda não haviam respondido no momento da publicação da reportagem.

Atualização: uma versão posterior do documento retirou a declaração de que Flávio seria o “verdadeiro presidente eleito” e passou a apresentá-lo como “líder do Brasil”, mantendo as acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas.