Pouco mais de um mês após a última interrupção, a Santa Casa de Campo Grande voltou a reduzir cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais devido à falta de medicamentos, insumos e materiais hospitalares. A medida surpreendeu pacientes que aguardavam procedimentos pelo SUS e ocorre poucos dias depois de os atendimentos eletivos terem sido retomados após quase um mês de suspensão.
Uma paciente relatou que chegou a ser encaminhada ao centro cirúrgico por volta das 5h30 desta terça-feira (1º), mas deixou o local quase cinco horas depois sem realizar a cirurgia. Segundo ela, a justificativa apresentada pelos profissionais foi a paralisação dos médicos anestesistas. “Há anos espero uma cirurgia pelo SUS e marcaram na Santa Casa. Ontem internei e hoje, às 5h30, estava no centro cirúrgico. Saí agora, às 10h da manhã, sem realizar a cirurgia, e me falaram que estão em greve”, contou.
O presidente do Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), Marcelo Santana, afirmou que a restrição dos atendimentos está relacionada principalmente à escassez de materiais. Segundo ele, diante da situação, os profissionais estão priorizando casos de urgência e emergência. “Não é nem uma questão de pagamento, mas sim de insumos. A situação é caótica, segundo os colegas”, afirmou. O sindicato também prepara uma assembleia para discutir a situação.
A crise ocorre em meio a uma disputa financeira envolvendo a instituição, a Prefeitura de Campo Grande e o Governo de Mato Grosso do Sul. Em julho, a Santa Casa acionou a Justiça para cobrar R$ 26,56 milhões referentes a repasses que considera pendentes. Desse montante, aproximadamente R$ 15,3 milhões seriam de responsabilidade do município e R$ 11,1 milhões do Estado. Na ocasião, o hospital também relatou dificuldades para manter os serviços e chegou a apontar o risco de demissão em massa de médicos.
Apesar dos relatos sobre paralisação, a Santa Casa afirmou que não há greve dos profissionais e confirmou a redução parcial dos serviços. Em nota, o hospital informou que a suspensão das cirurgias eletivas ocorre também pela escassez de materiais e que, neste momento, há insumos disponíveis apenas para procedimentos de emergência.
A instituição classificou a medida como uma “adequação temporária da capacidade assistencial” e disse estar priorizando atendimentos de urgência e emergência, principalmente nos casos com risco à vida ou necessidade de intervenção imediata. A Santa Casa afirmou ainda que busca manter, dentro de suas condições técnicas e operacionais, a assistência aos pacientes já internados.