Muito além da folia, o Carnaval brasileiro impulsiona uma ampla cadeia de pequenos negócios criativos apoiados pelo Sebrae, que atuam na produção de fantasias, adereços, moda autoral e na customização de abadás. Considerada um dos principais motores da economia criativa do país, a festa gera renda, empregos temporários e oportunidades de empreendedorismo em diferentes territórios, além de aquecer setores como turismo, comércio e serviços.
De acordo com levantamento do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR), vinculado ao Ministério da Cultura, a economia criativa responde por 3,11% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e emprega cerca de 7,5 milhões de pessoas em mais de 130 mil empresas formalizadas. Segmentos como artes visuais, moda autoral, design, audiovisual, música, e artes cênicas integram esse ecossistema que ganha ainda mais força durante o período carnavalesco.
Além do impacto econômico direto, o Carnaval também tem estimulado práticas mais sustentáveis entre empreendedores criativos. A reutilização de materiais, a customização de peças antigas e o uso de insumos recicláveis em fantasias e adereços vêm ganhando espaço, fortalecendo modelos de negócio alinhados à economia circular. Glitter biodegradável, tecidos reaproveitados e acessórios feitos a partir de resíduos têxteis já fazem parte da rotina de muitos pequenos produtores.

Economia criativa transforma a folia em oportunidade
Para o Sebrae, investir na profissionalização desses empreendedores é essencial para garantir que a festa continue sendo não apenas um espetáculo cultural, mas também uma poderosa engrenagem de desenvolvimento econômico e social.
O Carnaval é uma engrenagem estratégica da economia criativa brasileira. “O evento é de extrema importância para a economia criativa e, consequentemente, para os empreendedores do setor, porque envolve diretamente toda a cadeia produtiva. Estamos falando das fantasias, da dança, do enredo, da criatividade, da criação dos desfiles, sem contar o impacto positivo no turismo, nas hospedagens, bares, restaurantes e nos serviços em geral”, afirma Denise Marques, analista de Economia Criativa do Sebrae Nacional.
Segundo ela, a instituição oferece diversas soluções para apoiar os empreendedores criativos, como programas de capacitação, conteúdos digitais, ferramentas de gestão e aplicativos voltados para o microempreendedor individual.
O Sebrae atua para fortalecer esses pequenos negócios, ajudando na gestão, na formalização e na ampliação de mercado.
Denise Marques, analista de Economia Criativa do Sebrae
Um estudo da plataforma de comércio eletrônico Nuvemshop aponta que micro e pequenas empresas que vendem produtos para o Carnaval online faturaram R$ 2,7 milhões entre 1º de janeiro e 25 de fevereiro de 2025, um crescimento de 32% em relação ao mesmo período de 2024. Foram vendidos mais de 81 mil itens, volume 10% maior que do ano anterior.
Os acessórios lideraram as buscas, com destaque para brincos, bandanas e tiaras. Já a categoria “fantasia” superou R$ 700 mil em vendas, alta de 29%. Os abadás chamaram atenção pelo crescimento expressivo: o número de unidades comercializadas aumentou 3.000%.
Exemplos de sucesso diretamente de Brasília, do Rio de Janeiro e de Salvador mostram como o Carnaval é capaz de impulsionar pequenos negócios criativos em diferentes regiões do país, fortalecendo a economia local, promovendo sustentabilidade e valorizando a cultura brasileira.

Moda sustentável ganha espaço na folia
Em Brasília (DF), a empreendedora Giovana Dachi comanda a Gia Dachi Carnaval, marca que nasceu em 2017 — inicialmente com o nome Parangolés — com a proposta de criar roupas autorais que pudessem ser usadas para além dos dias de festa. Pioneira no uso de práticas sustentáveis no Carnaval, a marca aposta no upcycling e no reaproveitamento de tecidos descartados por grandes produções e pequenas confecções locais.
“O foco sempre foi trabalhar com retalhos selecionados, com bom acabamento e durabilidade. Começamos priorizando a compra de sobras têxteis e, com o tempo, toda a produção passou a ser feita a partir de descarte de tecido”, explica Giovana, formada em moda.
Ela destaca o crescimento do Carnaval da capital federal e o aumento da procura por peças autorais com viés sustentável. “É perceptível como a identidade carnavalesca de Brasília vem se consolidando, com consumidores buscando cada vez mais produtos criativos e conscientes. Estamos construindo essa cultura e sou entusiasta desse movimento”, afirma.
Ao longo da trajetória, a empreendedora contou com orientações do Sebrae para estruturar melhor a gestão do negócio, conciliando a criação artística com práticas empresariais.

Adereços autorais valorizam cultura popular
No Rio de Janeiro (RJ), o artesão Antenor Júnior, do ateliê Santuário Relicário, atua há 17 anos na produção de adereços voltados principalmente para os blocos de rua. Natural de Pernambuco, ele se inspira na cultura popular brasileira, com referências ao maracatu, frevo, Bumba Meu Boi e às tradições nordestinas.
“Criei a marca com o objetivo de valorizar e divulgar a cultura popular brasileira em todos os sentidos. No Carnaval, senti a dificuldade das pessoas encontrarem peças originais, que fugissem do industrializado, e resolvi oferecer esse diferencial”, conta.
Assistido pelo Sebrae Rio, Antenor afirma que as mentorias ajudaram no posicionamento da marca, na precificação e na gestão do negócio. Além disso, o artesão incorporou práticas sustentáveis ao reaproveitar materiais de fantasias antigas e peças doadas por clientes, transformando o que seria descartado em novos produtos criativos.
“O Carnaval é uma grande vitrine. É nesse período que muita gente conhece minha marca e continua comprando ao longo do ano, seja para festas juninas, peças religiosas ou coleções temáticas”, explica.

Customização de abadás gera renda e pertencimento cultural
Em Salvador (BA), a empreendedora Najara dos Santos Souza é fundadora da N Black – Moda Afrobrasileira, criada em 2005 após ela sofrer racismo em uma entrevista de emprego e decidir empreender por conta própria. Inicialmente voltada para bijuterias, a marca evoluiu para a moda autoral com foco em identidade, representatividade e criatividade.
Durante o Carnaval, Najara também se destaca com o serviço de customização de abadás, transformando as peças em criações exclusivas. “Muitas vezes, em dez dias de Carnaval conseguimos faturar o que levaríamos dois ou três meses para alcançar. Além disso, geramos emprego e renda para costureiras, artesãs e pequenos ateliês da comunidade”, afirma. A empreendedora destaca que a customização vai além do aspecto econômico.
É uma forma de pertencimento cultural. As pessoas querem sair bonitas, com a cara da folia, com uma peça única. Isso faz parte da identidade visual do Carnaval de Salvador.
Najara dos Santos Souza, empreendedora
Com práticas sustentáveis incorporadas à produção, Najara reaproveita retalhos e materiais, destinando sobras para artesãs que produzem acessórios e outros itens. Parceira do Sebrae desde 2012, ela afirma que os cursos e orientações em gestão, precificação e planejamento foram fundamentais para o fortalecimento do negócio.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias









