O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul se despede nesta segunda-feira, dia 2 de março, do desembargador Djailson de Souza, que se aposenta voluntariamente após mais de 35 anos de atuação na magistratura. O ato está publicado no Diário da Justiça desta segunda-feira.
A aposentadoria marca o cumprimento de uma promessa feita à família. Segundo o magistrado, a decisão foi amadurecida ao longo do tempo e está relacionada ao encerramento natural de um ciclo. “Depois de tantos anos no exercício da minha função, eu me sinto realizado, sinto que fiz tudo o que devia. Saio sem nenhuma preocupação de ter cometido alguma injustiça”, afirmou.
Djailson de Souza tomou posse como desembargador em 21 de outubro do ano passado, após promoção por antiguidade, deliberada pelo Órgão Especial em 1º de outubro de 2025. Ao assumir o cargo, destacou a trajetória construída com esforço e dedicação. “Eu chego tarde porque venho de longe. A minha origem é muito humilde. Eu venho do mato, da zona rural, daquelas escolas rurais mistas”, relembrou.
Nascido em Bataguassu, em 17 de agosto de 1959, filho de lavradores de origem baiana, conciliou desde cedo o trabalho no campo com os estudos. Ainda jovem, aprendeu datilografia por incentivo de professores, o que o levou a ingressar no ambiente forense. Aos 13 anos, mudou-se para a cidade e passou a trabalhar no Cartório do 2º Ofício de Caarapó, iniciando ali uma trajetória que se estenderia por mais de cinco décadas no Direito.
Ao longo da carreira, atuou em cartórios, foi escrevente, professor, advogado e juiz, experiências que, segundo ele, contribuíram para a forma como sempre exerceu a magistratura. “Eu tenho comigo que a gente tem que fazer tudo o que pode fazer pelo jurisdicionado, pelo contribuinte, pelo cidadão que paga o nosso salário. Eu faço tudo pensando em acertar sempre, com medida e dosagem, para não cometer injustiça”, destacou.
Em 1990, foi aprovado em concurso para juiz substituto em Mato Grosso do Sul, tomando posse em Campo Grande. Atuou nas comarcas de Sete Quedas e Corumbá, chegando posteriormente à capital, onde passou pela 7ª Vara do Juizado Especial e, mais tarde, pela Vara do Juizado Especial de Trânsito. Nesses cargos, ficou conhecido pelo empenho na efetividade das decisões. “O grande drama do processo civil é transformar o direito em dinheiro. Eu sempre fiz isso com unhas e dentes, usando toda a força que o Estado me deu”, ressaltou.
Sobre a decisão de se aposentar, o desembargador afirmou que o sentimento predominante é de realização. “Não sei se a palavra é orgulho, mas eu me sinto realizado. Realização, sim. Passei por tudo. Fiz tudo o que estava ao meu alcance”, disse.
A partir de agora, Djailson de Souza pretende dedicar mais tempo à família. “Eu quero descansar para conviver com meus filhos, com meus netos, com a minha esposa. Enquanto eu tenho energia para viver essas coisas, é isso que eu quero fazer”, concluiu.




