A rápida perda de peso proporcionada pelas chamadas canetas emagrecedoras trouxe um novo desafio para quem busca reduzir gordura corporal: preservar os músculos durante o processo. Medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy podem ajudar no controle do peso, mas parte dos quilos eliminados pode corresponder à massa magra, especialmente quando o tratamento não é acompanhado de alimentação adequada e exercícios de força.

A questão ganhou atenção entre especialistas porque emagrecer não significa necessariamente melhorar a composição corporal. Uma pessoa pode apresentar uma redução expressiva no peso, mas também perder músculos ao longo do tratamento. A consequência pode ser redução da força, da capacidade funcional e do gasto energético, além de dificultar a manutenção dos resultados obtidos.

Um estudo de composição corporal realizado com participantes do SURMOUNT-1, envolvendo o medicamento tirzepatida, mostrou que aproximadamente 75% do peso perdido após 72 semanas veio da redução de gordura, enquanto cerca de 25% correspondeu à massa magra. O resultado reforça que a maior parte do emagrecimento ocorre pela perda de gordura, mas também evidencia que preservar a musculatura deve fazer parte da estratégia.

A preocupação não é exclusiva da tirzepatida. Uma meta-análise publicada em 2026 avaliou diferentes medicamentos baseados em incretinas utilizados no tratamento da obesidade e apontou que a perda de massa magra pode representar uma parcela relevante da redução de peso. O mesmo trabalho encontrou indícios de que o treinamento de resistência pode ajudar a diminuir a proporção de massa magra perdida durante o emagrecimento.

A diferença entre perder gordura e simplesmente perder peso é importante porque a massa muscular está relacionada à força, mobilidade e autonomia funcional. Também participa do gasto energético do organismo. Por isso, uma redução excessiva de músculo pode comprometer parte dos benefícios esperados com o emagrecimento e dificultar a manutenção do novo peso posteriormente.

Pesquisas recentes reforçam esse cenário. Uma revisão publicada em 2026 apontou que exercícios de resistência, associados a uma ingestão adequada de proteínas, podem contribuir para preservar a massa muscular durante tratamentos farmacológicos para obesidade. O trabalho também defende que o acompanhamento do paciente considere não apenas o peso corporal, mas indicadores como composição corporal e capacidade funcional.

A alimentação também tem papel central. Como as canetas para emagrecimento podem reduzir o apetite, algumas pessoas passam a consumir uma quantidade menor de alimentos e, consequentemente, podem ter dificuldade para atingir as necessidades de proteínas e outros nutrientes. Por isso, o acompanhamento com nutricionista pode ser importante para ajustar a alimentação de acordo com os objetivos e as características de cada paciente.

Outro ponto é que o exercício não precisa começar necessariamente com treinos intensos. Pessoas sedentárias podem iniciar com atividades compatíveis com seu condicionamento e evoluir gradualmente. O treinamento de força pode ser combinado com caminhada, bicicleta, corrida ou outras atividades aeróbicas, conforme a avaliação profissional.