A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou, nesta quinta-feira (5), o pedido de impeachment contra o presidente do país, Santiago Peña.
A decisão foi tomada em sessão extraordinária, em meio à crise financeira causada pela intervenção do Banco Central paraguaio no banco digital Ueno.
O resultado foi unânime, com 78 votos favoráveis ao impeachment. O Partido Colorado, ao qual Peña é filiado, retirou oficialmente o apoio ao líder em meio ao agravamento da crise. A legenda votou contra o afastamento do vice-presidente do país, Pedro Alliana.
Durante a discussão de abertura do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, Santiago Peña anunciou renúncia ao cargo, sob justificativa de “preservar instituições” e “em nome da estabilidade do país”.
O pronunciamento do mandatário do país vizinho foi publicado em vídeo, nas redes sociais.
“Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas. Também quero pedir desculpas ao povo, caso eu tenha falhado em algum momento. Nunca foi minha intenção trair a confiança que depositaram em mim. Nenhum cargo é mais importante do que a estabilidade da República. Nenhuma pessoa está acima do Paraguai.”
Com a renúncia de Peña, o vice Pedro Alliana assume a presidência do Paraguai.
Para confirmar a acusação formal contra Peña, os senadores também precisam analisar o processo de impeachment, sendo necessários dois terços dos votos para declarar o presidente do país culpado.
A acusação aponta conflito de interesse, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e atuação contra o interesse público, porque Peña nomeou o economista Carlos Carvallo como presidente do Banco Central paraguaio.
Após a liquidação do banco Ueno na última terça-feira, Carvallo renunciou à presidência do BC. Ele foi dirigente do banco digital até 2023, antes de assumir a chefia do Banco Central do país.
A crise também atingiu o presidente Santiago Peña porque ele foi acionista, até março de 2025, do Grupo Vázquez, que controla o banco Ueno.
A liquidação da instituição bancária, que tinha cerca de 3 milhões de correntistas, provocou o bloqueio de contas.
O banco digital ainda administra o pagamento de pensões de milhares de aposentados e tem cerca de 30% dos depósitos de fundos públicos, estimados em US$ 850 milhões.
No pronunciamento à população do país, Peña afirmou que espera que os recursos sejam devolvidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos e que os fundos e recursos públicos sejam protegidos.
Eleito em 2023, Santiago Peña é um político da direita conservadora do Partido Colorado que há quase oito décadas controla o poder no Paraguai, exceto por cinco anos, de 2008 a 2013.
*Com colaboração de Gabriel Brum e informações da Agência Brasil
Fonte: Radioagência Nacional – EBC