Familiares de Anna Laura Insarralde de Araújo, de 8 meses e 20 dias, realizaram uma manifestação na terça-feira (20), em frente à UPA Universitário, em Campo Grande, para cobrar esclarecimentos sobre a morte da menina. A criança morreu em 11 de outubro, após passar por três unidades de saúde, e o caso é investigado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) diante de uma denúncia de suspeita de negligência médica.

A mãe da bebê, a empresária Ana Maria Morel, de 41 anos, afirma que ainda não recebeu respostas sobre decisões tomadas durante os atendimentos, a transferência entre hospitais e os procedimentos realizados antes da morte. A família questiona, entre outros pontos, a liberação da criança após a primeira consulta, a suposta perda de resultados de exames e dificuldades com equipamentos de oxigênio durante o atendimento no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul.

Segundo o relato da mãe, Anna Laura foi levada pela primeira vez à UPA Universitário após apresentar sintomas gripais. Um exame de raio-X teria identificado alterações no pulmão, e a menina recebeu prescrição de amoxicilina antes de ser liberada para continuar o tratamento em casa.

Com a piora dos sintomas, a família voltou à unidade de saúde em 10 de outubro. Conforme a mãe, um novo exame de imagem indicou que a alteração pulmonar permanecia. A bebê ficou em observação, recebeu oxigênio e aguardou a disponibilização de uma vaga hospitalar.

A transferência ocorreu para o Hospital do Câncer Alfredo Abrão. Durante o transporte, segundo a família, a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) solicitou os resultados dos exames, mas teria sido informada de que os documentos haviam sido extraviados. Os parentes afirmam que conseguiram acessar os dados após a morte da criança.

No Hospital do Câncer, a mãe relata que a bebê apresentou uma alteração na coloração da boca após receber uma medicação. A equipe teria suspendido o medicamento e, diante da gravidade do quadro e da necessidade de atendimento intensivo pediátrico, providenciado a transferência para o Hospital Regional.

Já na unidade estadual, Anna Laura foi intubada e encaminhada à UTI. A mãe afirma que houve dificuldades para conectar os equipamentos de oxigênio durante o atendimento e que os profissionais precisaram recorrer à ventilação manual. A criança passou por procedimentos médicos, apresentou complicações, recebeu transfusão de sangue e não resistiu.

Ministério Público também apura o caso

A morte da bebê também chegou ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A 32ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública de Campo Grande registrou uma Notícia de Fato para apurar possíveis falhas na assistência médico-hospitalar e solicitou informações complementares, além de diligências junto aos órgãos de saúde e às instituições envolvidas.