Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma dúvida se torna cada vez mais frequente entre os estudantes: como aproveitar os últimos dias de preparação, especialmente quando o tempo disponível para estudar é limitado?
Ao longo da minha trajetória como professor e educador, tenho acompanhado milhares de estudantes em busca de uma vaga no ensino superior. E uma das principais orientações que sempre compartilho é que, nessa reta final, estudar com estratégia é muito mais importante do que simplesmente acumular horas diante dos livros.
Para quem dispõe de apenas 30 minutos por dia, minha recomendação é bastante objetiva: concentre-se na resolução de questões de edições anteriores do Enem. Escolha conteúdos que aparecem com frequência nas provas e, principalmente, procure compreender os motivos dos seus erros. Muitas vezes, aprender com uma questão resolvida incorretamente pode ser mais produtivo do que realizar dezenas de exercícios sem uma análise adequada.
Já para quem consegue estudar uma ou duas horas diariamente, o ideal é organizar esse período entre uma breve revisão teórica, a resolução de exercícios e a correção das questões. Também considero fundamental alternar as disciplinas durante a semana e não deixar a redação de lado, pois ela representa uma oportunidade importante de melhorar a nota final.
Outra dúvida bastante comum é se o estudante deve priorizar as matérias em que apresenta maior dificuldade ou aquelas em que já possui facilidade.
Na minha avaliação, o equilíbrio é o melhor caminho. O candidato precisa consolidar os conhecimentos que já domina, garantindo pontos importantes, mas também deve identificar dificuldades específicas que ainda podem ser superadas com revisões direcionadas. Não é produtivo investir horas em conteúdos extremamente complexos, deixando de revisar assuntos mais acessíveis nos quais seria possível melhorar o desempenho.
Os simulados e as provas anteriores são ferramentas indispensáveis nessa fase. Além de familiarizarem o estudante com o estilo das questões, permitem desenvolver habilidades fundamentais, como interpretação, concentração e administração do tempo.
Costumo orientar meus alunos a observarem não apenas quantas questões acertaram, mas principalmente por que erraram. Foi falta de conhecimento? Dificuldade de interpretação? Desatenção? Essa análise permite identificar o que realmente precisa ser trabalhado.
Também faço um alerta importante: um dos maiores equívocos nessa reta final é tentar recuperar, em poucas semanas, todo o conteúdo que deveria ter sido estudado ao longo do Ensino Médio.
Essa atitude costuma provocar ansiedade, desgaste físico e emocional e, muitas vezes, compromete até mesmo os conhecimentos que o estudante já possui.
O momento exige planejamento, equilíbrio e inteligência na escolha das prioridades. Dormir bem, manter uma alimentação adequada e respeitar os momentos de descanso também fazem parte de uma preparação eficiente.
Sempre digo aos meus alunos que o Enem não avalia apenas o conhecimento adquirido, mas também a capacidade de interpretar informações, tomar decisões e administrar o tempo sob pressão.
Por isso, minha mensagem aos estudantes é simples: não se desesperem com aquilo que ainda não conseguiram estudar. Valorizem o conhecimento que já construíram, identifiquem onde ainda podem avançar e aproveitem cada momento de preparação com qualidade.
Na reta final do Enem, o diferencial não está em tentar aprender tudo, mas em saber utilizar, da melhor maneira possível, o tempo e o conhecimento que cada estudante possui.
Prof. Dr. Edilson Soares da Silveira
Professor de Biologia e diretor do Colégio e Cursinho Refferencial — Campo Grande/MS
