Medicamentos à base de semaglutida, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, podem ter efeitos benéficos para o coração que vão além da perda de peso. Um estudo experimental liderado por pesquisadores do Cedars-Sinai, nos Estados Unidos, identificou sinais de proteção contra a insuficiência cardíaca mesmo com doses baixas do medicamento, independentemente do emagrecimento.

Publicado na revista científica European Heart Journal, o trabalho investigou os efeitos da semaglutida em camundongos e miniporcos submetidos a uma condição que reproduz características de um tipo de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, associada à obesidade. Nesse quadro, o coração mantém a capacidade de contração, mas apresenta dificuldade para relaxar e se encher adequadamente de sangue.

Nos experimentos, os pesquisadores observaram redução da rigidez cardíaca, do aumento do coração e da formação de cicatrizes no tecido cardíaco. O estudo também identificou diminuição do acúmulo de gordura considerado prejudicial ao redor do coração e no fígado.

Os resultados reforçam a hipótese de que os medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, à qual pertence a semaglutida, possam atuar diretamente em mecanismos relacionados à saúde cardiovascular. Segundo os pesquisadores, esses efeitos não dependeriam exclusivamente da redução do peso corporal.

Mahmoud Elbatreek, principal autor do estudo,  ressaltou os efeitos protetores observados nos experimentos, inclusive independentemente da perda de peso. Os pesquisadores, contudo, não afirmam que os resultados já comprovem a eficácia de doses baixas para tratar ou prevenir a insuficiência cardíaca em pessoas.

A distinção é importante porque o estudo foi realizado em animais. Embora os resultados ajudem a compreender os mecanismos de ação da semaglutida, são necessários ensaios clínicos para determinar se os mesmos efeitos ocorrem em humanos, quais doses seriam adequadas e quais pacientes poderiam se beneficiar.

A semaglutida é utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 e, em formulações específicas, no controle da obesidade. Estudos clínicos anteriores já demonstraram benefícios cardiovasculares em determinados grupos de pacientes, mas isso não significa que qualquer pessoa possa usar o medicamento para proteger o coração.