quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Religioso usa redes sociais para falar sobre violência doméstica

bispo Bruno LeonardoReprodução | Instagram

Em um momento em que os índices de violência doméstica seguem em alta no Brasil, o bispo Bruno Leonardo usou suas redes sociais para se posicionar de forma firme sobre o tema. Em um vídeo divulgado recentemente no seu Instagram, gravado durante uma pregação na igreja, o líder religioso questiona discursos que incentivam mulheres a permanecerem em relacionamentos abusivos em nome da fé ou da manutenção do casamento.

Na fala, o bispo critica a ideia de “suportar” agressões e afirma que a igreja deve ser um espaço de acolhimento, não de julgamento. Ele cita casos de mulheres que, mesmo sofrendo violência dentro de casa, acabam sendo excluídas de atividades religiosas ao optarem pela separação. Para ele, esse tipo de postura reforça a hipocrisia e contribui para a perpetuação do sofrimento. “Só vive uma vez pra ficar tomando porrada? Só vive uma vez pra ficar sendo desrespeitada?”, questiona no vídeo.

O posicionamento acontece em um cenário alarmante. Dados oficiais indicam que o Brasil registrou, em 2024, 1.492 casos de feminicídio, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado em lei, representando uma média de quatro mulheres mortas por dia em razão da violência de gênero. No mesmo período, mais de 87 mil casos de estupro foram registrados, o que equivale a uma vítima a cada seis minutos.

A violência também se reflete no volume de denúncias e processos. Apenas no último ano, quase 1 milhão de novos casos de violência doméstica chegaram ao Judiciário e mais de 1,2 milhão de processos relacionados ao tema seguem em tramitação. Pesquisas nacionais apontam ainda que cerca de 40% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência física, psicológica ou sexual ao longo da vida, muitas vezes dentro do próprio lar.

Ao usar sua visibilidade para abordar o assunto, Bruno Leonardo amplia o debate dentro e fora do ambiente religioso, alcançando fiéis que, em muitos casos, procuram primeiro a igreja antes de buscar ajuda institucional. A mensagem reforça que a fé não deve ser associada à dor ou à submissão e que nenhuma mulher deve aceitar agressões para manter um relacionamento ou um espaço dentro da comunidade religiosa.

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