Conheci o Manoel Carlos na TV Record, nos anos 60.
Manoel foi convidado pelo Seu Tuta, que comandava a Equipe A, para fazer parte da equipe.
A Equipe A eram 4 homens, os maiores da história da TV.
Tuta, Nilton Travesso, Raul Duarte e Manoel Carlos. Os 4 eram únicos e eram a Equipe A.
Eles criavam e produziam sozinhos 7 programas todas as semanas, todas as noites na TV Record.
Os dois mais conhecidos programas eram A Família Trapo, aos sábados, e Hebe, aos domingos.
Manoela Carlos tinha vindo de uma experiência de grande sucesso na TV Excelsior.
Nem secretária eles tinham e eram os maiores da TV.
Neste tempo, nem a TV Globo ganhava dos programas da TV Record que eles criavam.
Aconteceu que, por má administração da TV Record, os salários começaram a deixar de ser pagos.
E quando se passaram 6 meses de salários não pagos, o Boni, da TV Globo ligou para o Manoel Carlos e para o Nilton Travesso e levou os dois para a TV Globo.
O Nilton Travesso foi dirigir programas com sucesso e o Manoel Carlos se transformou em um dos três maiores autores de novelas, ao lado de Dias Gomes e Gilberto Braga.
Manoel Carlos criou Por Amor, uma fantástica novela que encantou o país, com Regina Duarte e Antonio Fagundes, entre outros grandes da TV.
A famosa personagem Helena de Manoel Carlos, que sempre existiu nas novelas dele, foi inspirada em uma mulher por quem Manoel se apaixonou e era sempre traído por ela.
Aos sábados, a Helena saia de casa para passear sozinha e o Manoel Carlos levava uma garrafa de uísque até a casa de um amigo vizinho no bairro do Pari, em São Paulo, e os dois bebiam o uísque e Manoel Carlos chorava a noite toda.
Manoel Carlos ganhou uma tese de dramaturgia que foi feita pelo professor Ruvin Singal, do Mackenzie, nos anos 2000 e quando ele viu a tese em homenagem a ele, em uma livraria do bairro do Leblon, Manoel chorou muito ao lado do professor autor da tese.
Eu poderia escrever por muitos anos sobre Manoel Carlos, vocês podem saber dos nomes das novelas dele vendo o Google, mas o que eu contei não existe escrito em lugar algum.
Isto só vocês tem nesta coluna.
A emoção é de todos porque eu conheci o Maneco nos anos 60 na TV Record e agora soube da morte dele.
O Homem tem o desejo da vida, que deseja tanto amar, amor da vida querida, amor, viver e encantar, e quando a vida vai embora, cavalgando com o vento, é a vida uma doce Senhora que atravessa o Encantamento.









