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ara Kaio , o retorno à Casa de Criadores , depois de cinco anos, significava olhar para sua trajetória e explorar as mudanças desse tempo. O diretor criativo da Koia retorna às suas origens na moda e evoca a atmosfera de uma lojas de aluguel de roupas de festa na coleção ‘A Rigor’ , apresentada na edição 55 neste sábado (7), em São Paulo.
“É a intersecção entre os universos de alfaiataria e moda festa que a gente encontra nessas lojas de aluguel”, revela o estilista, que começou a carreira em ateliês do interior de Minas Gerais.
Kaio mistura os dois estilos brincando com os tecidos e as modelagens. Mostrando que sabe fazer uma boa alfaiataria, no início da coleção podemos ver peças mais sóbrias, como conjuntinhos com gravatas e corsets bem estrurados. Mangas enormes e bufantes aparecem junto de looks em preto e branco.
Acompanhamos então uma transição que passa a unir os dois universos. “Esse vestido tem uma leitura de colete e o detalhe do busto é como se fossem duas gravatas transpassadas formando esse desenho mais orgânico”, explica uma de suas peças. O vestido de comprimento longo também chama atenção pelo tecido risca de giz.
Koia – Casa de Criadores 55
A base mais sóbria se mantém em produções que passam a explorar o lado mais festivo que ainda aparece com o mesmo tecido. Elementos como saia balonê e fenda nos preparam para o tão esperado final da coleção.
Bordados, poás e aplicações manuais resgatam o trabalho artesanal dos ateliês de moda.
Depois de cinco anos longe da Casa de Criadores, caracteriza seu trabalho antes da pandemia como obsoleto. “Esse tempo foi para eu entender de fato minha potencialidade na moda, o que eu poderia entregar de melhor para o mundo”, reflete.
A Koia leva ao evento peças com um poder imagético que, de forma lúdica, trazendo uma moda emocionante à passarela. A preocupação minuciosa do estilista em criar a partir de um processo menos industrial resulta em modelagens perfeitas que chamam atenção também pelo acabamento impecável.