sexta-feira, 6 de março de 2026

Morte de menina de 9 anos em Campo Grande reacende alerta sobre “desafios” na internet e pressiona rede de proteção

A morte de uma menina de 9 anos, em Campo Grande, nesta semana, colocou novamente sob evidência os chamados “desafios” que circulam em redes sociais e aplicativos de mensagem, conteúdos que estimulam crianças e adolescentes a repetir condutas perigosas em troca de curtidas, pertencimento ou “provas” para grupos. A Polícia Civil apura se o caso tem relação com o chamado “desafio do desodorante”, que envolve a inalação de aerossol.

Conforme informações, a criança foi encontrada desacordada em casa, no bairro Universitário, e chegou a ser levada à UPA, mas não resistiu. A suspeita inicial, relatada em boletim de ocorrência, é de que havia um tubo de desodorante próximo ao corpo, o que direcionou a investigação para a hipótese de participação em desafio viral.

O episódio ocorre num cenário em que o acesso digital começa cada vez mais cedo e nem sempre com mediação adulta. A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br/NIC.br (CGI.br), mostra que parte relevante do público de 9 a 17 anos relata já ter passado por situações ofensivas ou incômodas na internet, ao mesmo tempo em que a percepção dos responsáveis tende a subestimar esse tipo de vivência.

Especialistas em segurança e saúde digital apontam que o risco não está só no “vídeo do momento”, mas na combinação de recomendação algorítmica, repetição de conteúdo e ambientes de pressão social (grupos fechados, rankings, “tarefas”). O Guia do Governo Federal sobre o uso de dispositivos digitais por crianças e adolescentes trata esse conjunto como um pacote de riscos, de conteúdo e conduta, e recomenda acompanhamento familiar, regras claras e atenção a mudanças de humor, isolamento e uso noturno do celular.

Para escolas e famílias, o ponto de virada costuma ser a rapidez em preservar evidências e acionar a rede de proteção. A orientação é não “limpar” o celular antes de registrar o que apareceu (links, perfis, mensagens, prints, horários) e buscar ajuda imediata quando houver risco físico ou indícios de indução por terceiros — porque a investigação depende, em grande parte, de rastros digitais.

Serviço — como denunciar e pedir ajuda em Campo Grande

  • Emergência (risco imediato): 190 (Polícia Militar) e 193 (Bombeiros).

  • Disque 100 (Direitos Humanos): canal nacional para violações contra crianças e adolescentes.

  • SaferNet (denúncia de conteúdo online): registre o link do conteúdo e faça a denúncia pela plataforma.

  • Conselho Tutelar: procure o conselho da sua região para medidas de proteção (atendimento local).

  • Polícia Civil: em casos com indícios de crime (instigação, ameaças, aliciamento, grupos), registre boletim e entregue as evidências.