A abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a operação tapa-buracos em Campo Grande avançou após 24 dos 29 vereadores assinarem o requerimento. A proposta busca apurar problemas na execução do serviço, alvo de reclamações frequentes de moradores sobre a qualidade do asfalto e a conservação das ruas.
O requerimento foi apresentado em agosto pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) e agora será encaminhado à Procuradoria da Câmara Municipal, que terá até cinco dias úteis para avaliar se a proposta atende aos requisitos legais e regimentais. Se o parecer for favorável, o pedido será submetido à votação em plenário.
Caso a CPI seja aprovada, uma comissão formada por cinco vereadores será constituída, respeitando a proporcionalidade partidária. Segundo o presidente da Câmara, Papy (PSDB), a investigação terá dez fatos determinados, incluindo a redução do orçamento destinado ao serviço, a ineficiência dos reparos e possíveis casos de corrupção.
Na quinta-feira (15), os vereadores também aprovaram a convocação do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Mourão, para prestar esclarecimentos na próxima terça-feira (20). Se ele comparecer, deverá discutir com os parlamentares medidas para melhorar o serviço a curto, médio e longo prazo.
A proposta de CPI ocorre meses após a deflagração da Operação Buraco sem Fim, realizada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul em maio deste ano. A investigação apura suspeitas de fraude na execução de serviços de manutenção viária, incluindo manipulação de medições e pagamentos por trabalhos que não teriam sido realizados conforme contratado.
Segundo levantamento citado na investigação, contratos e aditivos relacionados à empresa investigada somaram R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025. As suspeitas são objeto de apuração pelos órgãos competentes e não representam, por si só, condenação dos envolvidos.
A eventual instalação da CPI na Câmara terá tramitação própria e poderá ampliar a análise sobre a execução dos serviços de tapa-buracos, os recursos destinados à operação e as responsabilidades relacionadas às falhas apontadas pelos vereadores.
