A primeira noite da operação especial de acolhimento montada pela Prefeitura de Campo Grande evidenciou os impactos da forte onda de frio que atinge Mato Grosso do Sul. Com sensação térmica de -2,9°C registrada por volta das 23h de terça-feira (24), 80 pessoas em situação de vulnerabilidade buscaram abrigo no ponto de apoio instalado no Parque Ayrton Senna. Outras 20 pessoas abordadas pelas equipes de assistência social recusaram o acolhimento oferecido.
O número de atendimentos reforça a gravidade da massa de ar polar que avançou sobre o Estado e derrubou as temperaturas para níveis incomuns até mesmo para o inverno sul-mato-grossense. Conforme a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS), entre os acolhidos estavam 70 homens e 10 mulheres, incluindo três idosos, três venezuelanos e três cães levados pelos próprios tutores.
Do total de atendimentos, 12 pessoas procuraram o abrigo espontaneamente. O espaço oferece alimentação, local para pernoite, atendimento em saúde e acolhimento social, com capacidade para receber até 250 pessoas por noite. A Prefeitura informou que a estrutura poderá ser ampliada caso a procura aumente nos próximos dias.
A preocupação das autoridades se justifica pela continuidade do frio intenso. De acordo com projeções meteorológicas divulgadas por institutos de monitoramento climático, esta quarta-feira (25) deve registrar temperaturas baixas durante todo o dia, com mínima próxima de 6°C a 8°C em Campo Grande e sensação térmica ainda menor em áreas abertas devido aos ventos. Já a madrugada de quinta-feira (26) pode ser uma das mais frias do ano, mantendo o cenário de desconforto térmico para quem está exposto ao relento.
Meteorologistas alertam que a atual onda de frio está entre as mais intensas deste inverno até agora. O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) e previsões divulgadas para o Estado apontam risco de geadas em municípios do sul sul-mato-grossense e temperaturas próximas de 0°C em algumas regiões entre os dias 24 e 26 de junho.
Diante do cenário, as equipes da assistência social seguem realizando abordagens nas ruas da Capital para tentar convencer pessoas em situação de vulnerabilidade a aceitarem o acolhimento. A expectativa é de aumento da procura pelos abrigos nas próximas noites, especialmente se as previsões de frio intenso se confirmarem.
Enquanto a cidade enfrenta madrugadas congelantes, o desafio permanece o mesmo: garantir proteção para quem não tem onde se abrigar e reduzir os riscos à saúde causados pela exposição prolongada às baixas temperaturas.








