quinta-feira, 26 de março de 2026

Prefeitura de Campo Grande quer terceirizar gestão de unidades de saúde e proposta divide opiniões

A Prefeitura de Campo Grande avalia transferir a gestão de unidades de saúde para organizações sociais (OS), modelo que permite a administração por entidades privadas. A proposta foi apresentada durante reunião do Conselho Municipal de Saúde, e já provoca divisão entre representantes do setor.

Pelo modelo discutido, uma organização social ficaria responsável pela gestão administrativa das unidades por um período inicial de 12 meses, enquanto o Sistema Único de Saúde (SUS) seguiria responsável pelo atendimento à população. A prefeitura defende que a medida pode gerar economia e melhorar a eficiência dos serviços.

Durante a reunião, conselheiros e representantes da sociedade civil se manifestaram contra a proposta. O coordenador do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, afirmou que há posicionamento histórico contrário ao modelo. “Há uma deliberação de 2016 contrária a esse tipo de gestão. Entendemos que não é terceirizando que vamos resolver os problemas da saúde pública de Campo Grande”, disse.

O mesmo entendimento foi reforçado por representantes regionais. Para Eduardo Menezes, coordenador do conselho das Moreninhas, a proposta transfere responsabilidades sem atacar as falhas estruturais do sistema. “A gente já tem um gargalo na saúde. Não vemos isso como solução positiva, ainda mais considerando experiências negativas em outros locais”, afirmou.

Na Câmara Municipal, o tema ainda não entrou oficialmente na pauta, mas já divide vereadores. Segundo o vereador Landmark Rios (PT), o projeto pode tramitar em regime de urgência caso reúna assinaturas suficientes. “É um debate que precisa envolver a sociedade. Os usuários do SUS precisam discutir esse tema”, destacou.

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) também criticou a proposta e defendeu o fortalecimento da gestão pública. “Não é uma questão de incapacidade da prefeitura, mas de opção de gestão. Entendemos que isso pode precarizar os serviços e a relação com os servidores”, afirmou.

A proposta ainda deve ser formalizada e encaminhada para análise da Câmara de Campo Grande, onde poderá sofrer alterações antes de eventual implementação. O tema deve seguir em debate nas próximas semanas.

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