Os vereadores de Campo Grande decidiram manter o veto da prefeita Adriane Lopes ao projeto que equiparava templos religiosos a escolas, hospitais e bibliotecas nas chamadas zonas de silêncio. Com isso, a proposta deixa de valer e não será aplicada na Capital. O projeto previa a proibição de ruídos em um raio de até 200 metros de igrejas durante os horários de funcionamento. Na prática, a medida obrigaria estabelecimentos e atividades no entorno a reduzirem o nível de som, o que poderia impactar diretamente bares, eventos culturais e o comércio local.
A proposta gerou reação de diferentes setores antes mesmo da votação. Empresários e representantes da área cultural apontaram risco de prejuízos econômicos e restrições a eventos. Durante a sessão, vereadores contrários reforçaram esse entendimento e destacaram o alcance da medida na cidade.
O projeto havia sido aprovado no início de março, em regime de urgência e turno único, com ampla maioria. No entanto, ao vetar a proposta, o Executivo argumentou que a medida feria o princípio do Estado laico ao estabelecer tratamento diferenciado para templos religiosos sem critérios técnicos equivalentes aos aplicados a outros espaços.
A prefeitura também apontou que hospitais, escolas e bibliotecas possuem necessidade contínua e previsível de silêncio, o que não se aplicaria aos templos. Outro ponto levantado foi o impacto territorial da proposta, já que Campo Grande possui mais de 2,1 mil templos religiosos, o que ampliaria significativamente as áreas com restrição sonora.








