quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Com fiscalização em vários pontos da rodovia, Polícia Rodoviária apreendeu medicamentos sem autorização da Anvisa em MS — Foto: Polícia Militar Rodoviária

Fiscalização contra contrabando de “canetinhas emagrecedoras” aumenta no Estado e reforça combate ao comércio ilegal

A entrada de 2026 trouxe um reforço significativo nas ações de combate ao contrabando de canetinhas emagrecedoras, medicamentos usados para perda de peso que vêm sendo comercializados de forma ilegal no país. Em janeiro, órgãos federais ampliaram a fiscalização em fronteiras, rodovias e centros urbanos após uma sequência de apreensões expressivas registradas no fim de 2025, especialmente em cidades de Mato Grosso do Sul que fazem ligação direta com o Paraguai. A intensificação das operações ocorre diante do avanço desse mercado clandestino e dos riscos crescentes à saúde da população.

No final do ano passado, ações integradas da Receita Federal e das forças de segurança resultaram na apreensão de centenas de canetas emagrecedoras ilegais em municípios como Ponta Porã, Sidrolândia e outras cidades da faixa de fronteira. Em uma das ocorrências mais recentes, mais de 170 unidades foram encontradas escondidas em veículos que tentavam atravessar o país, evidenciando a existência de rotas estruturadas para o transporte e a distribuição desses produtos no mercado interno.

Segundo as autoridades, a maior parte das canetinhas apreendidas não possui registro na Anvisa, o que significa que não há garantia sobre a procedência, a composição ou as condições de armazenamento dos medicamentos. Em muitos casos, os produtos são vendidos pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, sem prescrição médica e com promessas de emagrecimento rápido, o que aumenta ainda mais o risco de efeitos adversos graves.

Diante desse cenário, a fiscalização foi ampliada neste mês de janeiro com foco não apenas nas fronteiras, mas também no transporte rodoviário e no comércio interno. As autoridades alertam que o contrabando de medicamentos é crime grave e pode resultar em penas de reclusão que variam de 10 a 15 anos, além de multa. Já a comercialização e a distribuição de medicamentos sem registro sanitário também configuram crime contra a saúde pública, com punições previstas no Código Penal.

Além do impacto criminal, os órgãos de controle chamam atenção para os riscos à saúde associados ao uso dessas substâncias. Sem controle sanitário, as canetas podem conter dosagens incorretas, princípios ativos falsificados ou até contaminantes, colocando os consumidores em situação de perigo. Casos de reações adversas, internações e complicações clínicas já estão no radar das autoridades de saúde.

Com a intensificação das ações, a expectativa é de que novas apreensões ocorram ao longo das próximas semanas. A orientação é para que a população evite a compra de medicamentos fora dos canais oficiais, desconfie de ofertas com preços muito abaixo do mercado e procure sempre orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento para emagrecimento. As autoridades reforçam que combater o contrabando é também uma forma de proteger vidas e garantir a segurança sanitária da sociedade.