quarta-feira, 18 de março de 2026

Semana do Artesão começa com oficinas que unem experiência e novos talentos

  • Publicado em 18 mar 2026

    por Marcio Rodrigues Breda •

  • Muitos já se conhecem. Outros dão seus primeiros passos na arte. Em comum, todos iniciam uma nova jornada de descobertas culturais nas oficinas gratuitas que acontecem nesta quarta-feira (18), durante a 18ª Semana do Artesão. O evento, organizado pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, reúne, além das aulas, feira, palestras, rodada de negócios e apresentações culturais que seguem até o dia 25 de março.

    As oficinas inaugurais — Técnica em Fibras Naturais – Trançado, com Magali Ono e Montagem de Biojoias, ministrada por Beatriz Barros, reuniram 24 participantes que compartilham o desejo de explorar novas técnicas, matérias-primas e inspirações.

    Tchielicsol Benke é um deles. Apesar de gostar de criar peças, não se considera um artesão por definição. “Sou artista visual, pinto telas, mas gosto de criar peças em casa. Já participei de oficina de artesanato em cerâmica e tenho essa vontade de aprender novas formas de produção. O que me motiva é aprender coisas novas e aprimorar conhecimentos em trabalhos manuais”, explica.

    Para ele, mais do que desenvolver uma nova técnica, a oficina é uma oportunidade de integração. “O trabalho de produção artesanal é geralmente solitário. Nessas aulas, podemos desenvolver conhecimentos e trocar experiências com outros colegas. É uma forma de integrar, conversar, trocar ideias. Essa troca de experiências é o mais importante”, avalia.

    A professora Magali Ono está à frente da oficina de Técnica em Fibras Naturais – Trançado, que utiliza o macramê, técnica de tecelagem manual baseada em nós para a confecção de franjas e texturas. “Artesanato, para mim, é tudo que é natural, dado pela natureza. É a transformação manual do que ela nos oferece”, define.

    Segundo Magali, o macramê permite a produção de diferentes peças, desde bijuterias, como pulseiras e colares, até barrados em toalhas. Tudo depende, essencialmente, de dois elementos: fibras naturais e dedicação ao trabalho manual.

    Para a artesã, ministrar oficinas é também uma missão. “É uma parte muito agradável do trabalho, uma forma de desenvolver o artesanato. Tudo isso é muito gratificante. Gosto muito, porque envolve tanto o fazer quanto a troca de experiências.”

    Na sala ao lado, a oficina de biojoias reúne artesãos que buscam aprimorar técnicas e iniciantes no ofício. A mestra Bia Barros compartilha aprendizados acumulados ao longo de anos dedicados ao artesanato.

    “O repasse da técnica para quem já é artesã é muito gratificante. É algo que aprendemos lá atrás e que precisamos passar adiante, para as novas gerações. Quando ministramos oficinas, estamos formando novos artesãos para o mercado de trabalho. Isso me alegra muito”, afirma.

    Para Bia Barros, há uma rede de artesãos que se conhece e atua com diferentes técnicas, mas que busca constante intercâmbio. “O artesanato é muito dinâmico. Existem várias tipologias que podemos praticar e, às vezes, uma técnica dialoga com outra. Eu, por exemplo, trabalho com biojoias e posso utilizar o macramê, como o ensinado na oficina ao lado. É uma técnica diferenciada, que fica linda. Por isso há essa integração. Os conhecimentos se somam”.

    Semana do Artesão

    Durante os dias de feira, o público poderá adquirir peças de referência cultural, produtos da gastronomia regional e acompanhar apresentações artísticas, como Jerry Espíndola, Gui Valença, Karla Coronel e Circo do Mato na Esplanada Ferroviária, em Campo Grande. A entrada é gratuita.

    Nesta edição serão homenageados nomes importantes da arte regional: Marilde Cecilia Ferreira, de Rio Verde; Luiz Gonzaga de Oliveira, o “Luizinho”, de Campo Grande; e Elizabeth Antunes Marques, a “Beth Marques”, reconhecidos por suas trajetórias e contribuição à cultura do Estado.

    Realizada desde 2007, a Semana do Artesão é promovida pela Fundação de Cultura, por meio da Diretoria de Artesanato, Moda e Design, em parceria com instituições e entidades representativas do setor. A ação integra as políticas públicas de valorização da cultura e busca consolidar o artesanato como um setor econômico sustentável e estratégico para o desenvolvimento regional, aliando geração de renda, capacitação e intercâmbio cultural.

    Confira a programação

    18/03 (quarta-feira)
    • 18h: Abertura oficial (Esplanada Ferroviária)
    • Início da Feira “Mãos que Criam”
    • 19h30: Duo Borba Nonnato

    19/03 (quinta-feira)
    • Rodada de Negócios (Sebrae/MS)
    • 16h30: Lançamento da Casa do Artesão (Shopping Campo Grande)
    • 19h: Jerry Espíndola

    20/03 (sexta-feira)
    • Encontro dos Artesãos de MS
    • Workshop de mídias
    • Apresentação cultural

    21/03 (sábado)
    • 14h30: Karla Coronel
    • 19h: Lianny Melo

    22/03 (domingo)
    • 8h: Café na Praça (Morada dos Baís)
    • 16h30: Circo do Mato
    • 18h30: Flor de Pequi

    18 a 25/03
    • Oficinas, palestras e atividades em escolas

    Fotos: Daniel Reino


    Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS

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