quinta-feira, 30 de abril de 2026

Vereadora Luiza leva ao plenário da Câmara debate sobre redução da jornada e mobiliza trabalhadores, sindicalistas, OAB e DIEESE

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) colocou no centro do debate da Câmara Municipal, nesta quarta-feira (29), a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial. A audiência pública proposta pela parlamentar reuniu lideranças sindicais, economistas, advogados e representantes de diversas categorias para discutir o fim da escala 6×1 e a adoção de jornadas mais equilibradas, incluindo a proposta de 30 horas semanais para servidores municipais.

Realizado na semana do Dia do Trabalhador, o encontro reforça a atuação de Luiza em pautar temas estruturais que impactam diretamente a vida da população. Ao abrir a audiência, a vereadora destacou que a discussão precisa chegar aos municípios e lembrou avanços históricos na legislação trabalhista. “Temos vontade política para ouvir as pessoas sobre todas as questões importantes, pois essa discussão impacta em Campo Grande também”, afirmou.

Além de trazer o debate nacional para o plenário, Luiza Ribeiro também apresentou uma proposta concreta para a cidade. Tramita na Casa uma Proposta de Emenda à Lei Orgânica de sua autoria que estabelece jornada de até 30 horas semanais para servidores públicos municipais. A matéria já conta com o apoio de 11 vereadores. Segundo a justificativa, a medida garante mais tempo para convivência familiar, lazer e cuidados pessoais, sem prejuízo à produtividade, além de gerar economia para o município e para os próprios servidores.

O debate ganhou força com a participação de especialistas e representantes dos trabalhadores, que reforçaram a necessidade de rever o atual modelo de jornada. A economista Andreia Ferreira, do Dieese, fez um resgate histórico das lutas trabalhistas e destacou que a discussão atual não é sobre recusa ao trabalho. “As pessoas não estão se recusando a trabalhar, só querem trabalhar em uma escala que lhes permita viver além do trabalho”, afirmou.

O advogado trabalhista Felipe Simões, da OAB de Mato Grosso do Sul, ressaltou a importância da Câmara sediar o debate por se tratar de um tema que faz parte da vida de todos. Ele destacou que há diferentes propostas em análise no país e ponderou sobre a necessidade de equilíbrio. “Temos que pensar na proteção à saúde do trabalhador, mas também no impacto na economia”, disse.

O superintendente regional do Trabalho, Alexandre Cantero, chamou atenção para os desafios que acompanham a mudança de jornada, como a qualificação profissional contínua. “Para que essa qualificação se traduza em aumento da produtividade”, pontuou, ao mencionar experiências internacionais com redução de carga horária e resultados positivos.

Representando os trabalhadores da construção civil, José Abelha foi enfático ao defender o fim da escala 6×1. “São seres humanos trabalhando, essa conta tem que fechar. Precisamos valorizar quem constrói este país”, afirmou, ao relatar casos de adoecimento provocados pela sobrecarga de trabalho.

O presidente da UGT em Mato Grosso do Sul, Jeferson Borges da Silveira, também destacou os impactos da jornada extensa na vida dos trabalhadores. “Isso pesa na qualidade de vida”, disse, ao defender a redução para 40 horas semanais.

A presidente da Federação dos Trabalhadores em Serviços Públicos Municipais, Dilma Gomes, reforçou a importância do debate nos municípios. “O adoecimento vem pelo excesso de trabalho, sem que a saúde do trabalhador seja considerada”, alertou.

Já a presidente da Fetems, Deumeires Batista de Souza, chamou atenção para os efeitos da escala 6×1 especialmente sobre as mulheres. “Essa jornada massacra homens e mulheres, e muitas ainda enfrentam dupla ou tripla jornada”, afirmou.

Ao reunir diferentes vozes e experiências, a audiência pública consolidou a Câmara como espaço de construção coletiva sobre o futuro das relações de trabalho. Para Luiza Ribeiro, o momento exige responsabilidade e compromisso com quem sustenta a economia. “Não se trata de trabalhar menos, mas de garantir dignidade e qualidade de vida para os trabalhadores”, concluiu.

Assessoria de Impresa da Vereadora 


Fonte: Câmara Municipal de Campo Grande – MS