quarta-feira, 10 de junho de 2026

Consultoria reduz estimativa de produção de soja e discute preço

A consultoria Biond Agro realizou o quarto corte seguido nas perspectivas de produção da soja na safra 2023/24.

De acordo com a empresa, a expectativa caiu de 153,2 milhões para 152,6 milhões de toneladas. Desde a revisão passada o número projetado já demonstrava que o ciclo atual não superaria o recorde obtido na temporada 2022/23.

“As análises mostram o clima adverso como protagonista das reduções, prejudicando bastante as áreas de plantio precoce e/ou plantio realizado entre setembro e outubro”.

Para o milho, a primeira projeção Biond Agro da safra brasileira (milho inverno e verão) aponta para uma produção de 118 milhões de toneladas, uma baixa de quase 11% frente à safra 2022/23, estipulada pela Conab em quase 132 milhões de toneladas.

Segundo a consultoria, somente em Mato Grosso, o maior produtor de soja do país, a perda de produtividade será superior a 20% em comparação ao ciclo passado.

A quebra refletirá nos preços?

Monte de soja em grão formando mapa do Brasil. Sobre ele, três notas de 50 reais. Ao redor, moedas de diversos valoresMonte de soja em grão formando mapa do Brasil. Sobre ele, três notas de 50 reais. Ao redor, moedas de diversos valores
Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

Apesar da quebra produtiva no Brasil apontada por diversas consultorias, os preços da soja continuam pressionados, ou seja, em baixa. O coordenador de inteligência e consultoria da Biond Agro, Felipe Jordy, lembra que esse fator é associado pelo ligeiro conforto na oferta da América do Sul, com a recuperação da Argentina.

“Fazendo um rápido acompanhamento na produção de soja da América do Sul, o ano passado totalizou uma produção de 192,8 milhões de toneladas. Neste ano, mesmo com quebra, a produção deverá girar em torno de 216 milhões de toneladas. Dado isso, uma produção maior gera um maior conforto na oferta, que acaba pressionando os preços”.

Segundo ele, é relevante destacar que, predominantemente, o Brasil exporta grãos enquanto a Argentina exporta farelo de soja.

“No entanto, ao considerarmos que o destino final do grão de soja é o processamento, uma oferta mais robusta na América do Sul contribui para um cenário mais favorável na oferta do complexo soja”, afirma.

O que esperar das cotações da soja?

Diante deste cenário desafiador para a safra de soja brasileira, era esperado um comportamento positivo dos preços, já que o maior player global de produção do grão estaria passando por dificuldades produtivas.

No entanto, o cenário de melhores produções em outros países, como Argentina e Paraguai, vai trabalhando para contrabalançar as perdas da safra brasileira.

Isso porque a Argentina, lembra a Biond Agro, vem com expectativas de recuperação da produção frente à safra passada. Produziu 25 milhões de toneladas em 2022/23, contra as estimativas de 50 milhões ou mais de toneladas este ano.

O Paraguai, por sua vez, vem com estimativas próximas a 10 milhões de toneladas e o Rio Grande do Sul está se recuperando da quebra do ano passado, com safra superior a 21 milhões de toneladas.

“Dito isso, o controle próximo das margens do negócio e o planejamento na tomada de decisão se fazem bastante necessários para internalizar a menor quantidade de risco possível e garantir a sustentabilidade econômica do negócio diante deste cenário bastante desafiador, onde há menor produção e preços mais baixos”, finaliza o coordenador.

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