quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

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O lucrativo e obscuro mercado de restos de dinossauros

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Foto fornecida pela brigada alfandegária de Menton (Alpes-Maritimes) em 14 de fevereiro de 2025, mostrando dentes de dinossauro fossilizados apreendidos por funcionários da alfândega

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Os esqueletos vendidos na internet ou os dentes apreendidos em um controle alfandegário mostram que, fora dos leilões da mídia, há algo obscuro e opaco por trás do lucrativo mercado de restos de dinossauros.

Os serviços alfandegários em Menton (sudeste da França) interceptaram recentemente os dentes de uma espécie extinta da família dos dinossauros em um caminhão de carga que viajava entre a Espanha e a Itália sem documentos comprobatórios.

“São dentes de répteis marinhos de mais de 70 milhões de anos provenientes do Marrocos, que tem uma fossilização e sedimentação características”, disse à AFP Pierre-Elie Moullé, assistente de conservação no Museu de Pré-História Regional em Menton.

“É um clássico do que é encontrado no Marrocos e é traficado e comercializado ilegalmente, é claro”, diz o especialista, que foi consultado pela alfândega.

“Há uma cadeia alimentar” para o negócio, disse à AFP Jeremy Xido, diretor americano do documentário “The Bones”.

No Marrocos existe “gente muito pobre que coleta os fósseis, às vezes em condições perigosas, para alimentar a sua família”, aponta Xido.

“E existem pessoas com recursos, marroquinos ou estrangeiros que compram a granel e transportam, legal ou ilegalmente, para os grandes mercados internacionais”, enfatizou.

– Origem dos objetos –

Basta “pesquisar um pouco na internet para perceber que há uma efervescência de vendas que nem sempre são legais”, diz Pierre-Elie Moullé.

O esqueleto do réptil marinho foi proposto por cerca de 37.000 euros (valor em 224,3 mil reais na cotação atual), sem os custos de transporte.

Após o primeiro contato com o proprietário, o preço aumenta para 45.000 euros (valor em 272,8 mil reais na cotação atual).

A conversa acaba quando o vendedor visualiza a pergunta: “O Marrocos pode reivindicar esse esqueleto se eu comprá-lo?”.

Há muitas áreas obscuras nesse tipo de negócio. Até mesmo o mercado de leilões públicos e midiatizados demorou a ser regulamentado.

“Quando comecei minha carreira, nunca falávamos sobre o local de procedência” dos objetos vendidos, disse à AFP Alexandre Giquello, que dirige a Drouot, uma casa de leilões francesa.

“Prevaleceu a boa-fé do possuidor. Se o indivíduo retirou a peça ilegalmente, ele comprometeu sua responsabilidade como vendedor. Mas a primeira menção à origem na legislação francesa é de 2012”, acrescenta.

O ator americano Nicolas Cage devolveu em 2015 um crânio de dinossauro, retirado ilegalmente da Mongólia e comprado em um leilão em Beverly Hills por cerca de US$ 276.000 em 2007 (valor em 1,5 milhão de reais na cotação atual).

– “Jurassic Park” –

Este comércio prova o fascínio inabalável pelos dinossauros. “É um passado, uma epopeia que nos faz sonhar, há muitas visitas de escolas a museus e as pessoas querem possuir peças desse patrimônio paleontológico”, disse Pierre-Elie Moullé.

“Todo mundo acha ótimo, mas nem todo mundo compra”, explica Alexandre Giquello. Além da questão dos recursos, da localização, dos cuidados, os colecionadores estão procurando a peça “incrível”, segundo ele.

“Se existem 10 pessoas no mundo interessadas em um grande esqueleto de dinossauro, seria muito”, diz o leiloeiro.

“É uma clientela muito particular, muito rica e, às vezes, emergente de novas tecnologias”, acrescenta.

“Muitos são dos EUA. Poucos asiáticos. E todos assistiram ‘Jurassic Park'”, afirma o leiloeiro, que vendeu “Big John”, um triceratops gigante de 8 metros de comprimento descoberto nos Estados Unidos, em Paris, em 2021, por 6,6 milhões de euros (valor em 40 milhões de reais na cotação atual).

O que acontecerá com as peças apreendidas em Menton?

“Isso dependerá do que for decidido entre a administração alfandegária e, provavelmente, o Ministério da Cultura. Normalmente, eles são entregues ao país de origem das mercadorias”, disse à AFP Samantha Verduron, assistente do diretor regional de alfândega em Nice (sudeste).

tecnologia.ig.com.br

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