quinta-feira, 25 de junho de 2026

SUS incorpora terapia que substitui cirurgia em metástase no fígado

SUS incorpora terapia que substitui cirurgia em metástase no fígado
Fidel Forato

SUS incorpora terapia que substitui cirurgia em metástase no fígado

A partir de setembro, o Sistema Único de Saúde (SUS)
deve oferecer uma nova alternativa de tratamento oncológico para pacientes com metástase no fígado
. Classificada como minimamente invasiva, a técnica não envolve a retirada dos tumores secundários, mas, sim, a destruição deles induzida por altas temperaturas. É a ablação térmica.

Durante o procedimento contra o câncer, o médico insere uma espécie de “agulha”, guiada por equipamentos de ultrassom ou tomografia, que “queima” e danifica as células cancerígenas no fígado, com temperaturas superiores a 60 ºC.

Anteriormente, a técnica que substitui a cirurgia em caso de metástase hepática estava disponível apenas para pacientes com planos de saúde
. No entanto, a decisão do Ministério da Saúde, através da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), vai ampliar o acesso à terapia.


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Câncer colorretal no fígado?

Vale observar que a técnica da ablação é indicada apenas para tumores secundários no fígado. Nesses casos, a doença surgiu a partir de um quadro de câncer colorretal (cólon e reto)
e se espalhou, por causa da metástase, para outras regiões do corpo.

“O câncer de cólon e reto é considerado tratável e frequentemente curável quando diagnosticado de forma localizada no intestino”, explica a Conitec, em nota. “A maioria das mortes relacionadas à doença está associada à metástase, quando as células do tumor se espalham para outros órgãos”, como o fígado, complementa.

Segundo a Conitec, cerca de 20% dos pacientes com câncer colorretal já são diagnosticados com metástase, sendo o fígado o órgão acometido mais comum.

A relação tão alta entre o câncer colorretal e metástase no fígado pode ser explicada pelo fato de que o fígado atua como “peneira”, filtrando o sangue. Então, as células cancerígenas originadas no intestino vão para a corrente sanguínea e são “filtradas” no sistema hepático, onde podem se desenvolver e formar tumores.

SUS vai oferecer novo tratamento para metástase no fígado, a ablação térmica, sem cirurgia (Imagem: Icetray/Envato)

Em relação à ablação térmica, “o procedimento é indicado para pacientes selecionados, que geralmente apresentam poucos tumores com diâmetro de até 4 cm, quando não há possibilidade de extração por cirurgia ou quando a cirurgia não é uma opção devido ao risco cirúrgico”, detalha a comissão.

Ablação em metástase no fígado

No mês passado, pesquisadores da Universidade Livre de Amsterdã (Holanda) demonstraram as vantagens da ablação em relação à cirurgia convencional em pacientes com metástase no fígado, em estudo recém-anunciado.

Apelidada de Collision, a pesquisa investigou a melhor técnica para o tratamento deste tipo de tumor em cerca de 300 pacientes com até 10 nódulos no fígado de até 3 cm. Desse total, 148 passaram pela cirurgia de remoção, enquanto os outros 147 foram tratados com a técnica de ablação.

Segundo os autores, a técnica de ablação térmica reduz o risco de complicações, como infecções pós-operatórias. Também diminuiu o tempo de internação, de quatro dias para 24 horas. Tudo isso sem comprometer o tempo de sobrevida livre da doença.

O estudo holandês foi apresentado durante o encontro anual da American Society for Clinical Oncology (ASCO), que ocorreu em Chicago, nos EUA. E esses novos dados vão ajudar na implementação do novo tratamento incorporado ao SUS
.

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