sábado, 2 de maio de 2026

Estudo de brasileiros explica taxa de expansão do universo

Estudo de brasileiros explica taxa de expansão do universo
Daniele Cavalcante

Estudo de brasileiros explica taxa de expansão do universo

Compreender a expansão acelerada do universo, impulsionada pela misteriosa energia escura, é um dos grandes desafios da astronomia moderna
. Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP) pode ajudar nessa busca, propondo usar conceitos da termodinâmica para descrever o fenômeno.

A ideia da expansão do universo foi proposta pela primeira vez em 1927 por Georges Lemaître, astrônomo e padre que apresentou ao mundo o conceito do Big Bang
. Dois anos mais tarde, Edwin Hubble confirmou a ideia ao observar que as galáxias mais distantes estavam se afastando de nós.

Desde então, os astrônomos usaram uma constante para descrever a taxa da expansão, inicialmente medida pelo próprio Hubble com grande grau de incerteza. Hoje, há medições muito mais precisas, porém ainda divergentes entre si.


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Em 1998, os astrônomos descobriram que a expansão estava acelerando, levando à conclusão que a constante de Hubble não era exatamente uma constante, mas uma taxa que muda conforme o tempo. Isso levou ao conceito de energia escura
, a força invisível que acelera a expansão.

Contudo, ninguém sabe ainda o que exatamente é a energia escura, então há um grande debate e diferentes hipóteses apresentadas para tentar explicar esse mistério. O novo estudo propõe que a mudança da taxa de expansão ao longo do tempo se assemelha a uma transição de fase termodinâmica.

As medidas atuais indicam que a expansão é adiabática e anisotrópica, ou seja, sem troca de calor e desigual em diferentes regiões do universo. “Conceitos fundamentais da termodinâmica permitem inferir que toda expansão adiabática é acompanhada de um resfriamento”, disse o professor Mariano de Souza da Unesp, líder do estudo.

Mesmo que um sistema em expansão não experimente troca de calor com o ambiente, ocorre um resfriamento devido à perda de energia interna utilizada no trabalho de expansão. O oposto também é verdade: se o sistema se contrai adiabaticamente, o trabalho resulta em aumento de energia e, por consequência, de temperatura.

Essa relação entre expansão adiabática e resfriamento é conhecida como efeito barocalórico, e pode ser quantificada por algo conhecido como razão de Grüneisen. O que os pesquisadores da UNESP fizeram foi aplicar o parâmetro de Grüneisen efetivo para descrever aspectos da expansão do universo
.

Segundo Souza, isso “proporciona uma nova maneira de se investigar efeitos anisotrópicos associados à expansão do universo”. Sua equipe conjectura que “a mudança de um regime de expansão desacelerada [na era dominada pela radiação e pela matéria] para um regime de expansão acelerada [na era dominada pela energia escura] se assemelha a uma transição de fase termodinâmica”.

O artigo demonstra que o parâmetro de Grüneisen efetivo “muda de sinal quando a expansão do universo muda de desacelerada para acelerada. Tal mudança de sinal assemelha-se à assinatura típica de transições de fase na física da matéria condensada”, completou Souza.

Se isso for verdadeiro, significa que a constante cosmológica (representada por LAMBDA, ou Λ) usada no modelo Λ-CMD (Lambda-Cold Dark Matter) tem um valor variável, ao contrário do modelo atual que confere a Λ um valor fixo. Essa mudança traria uma dependência temporal para essa constante, trazendo novas percepções sobre o universo.

O estudo foi publicado no Results in Physics
.

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