sexta-feira, 17 de julho de 2026

Novo Código Civil vai parar de tratar animais como objetos

Novo Código Civil vai parar de tratar animais como objetos
Nathan Vieira

Novo Código Civil vai parar de tratar animais como objetos

O Senado solicitou um anteprojeto para o novo Código Civil, com atualizações que devem impactar várias áreas — entre elas, o direito dos animais. Caso a proposta seja aprovada pelo Congresso, os animais não serão mais considerados como objetos, como prevê o código em vigor atualmente.

Já está claro para a sociedade que os animais de estimação são verdadeiros amigos dos seres humanos. Isso é até científico, inclusive: a companhia de um pet pode trazer benefícios para a saúde mental
e outros efeitos positivos.

No entanto, o Código Civil atualmente (desde janeiro de 2003, substituindo o código de 1916) aponta os animais como um objeto, o que desperta controvérsias até hoje.


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Código Civil vê animais como objetos

No que diz respeito à natureza jurídica dos animais, o Código Civil enquadra na condição do artigo 82, de “coisas móveis semoventes”, ou seja, desprovidos de direito individual e tendo garantias de direitos somente quando buscado por terceiros: “suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social”.

O que isso significa: bichos de estimação não possuem direitos, e as discussões que giram em torno de animais estão mais próximas de institutos como a posse e a propriedade.

Crueldade contra os animais

Apesar disso, o país condena a crueldade contra animais a partir do artigo 225 da Constituição de 1988. Cabe também à Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) a criminalização dos maus-tratos.

Vale observar, também, que o art. 2º, §3º do Decreto 24.645/1934 garante que os animais têm direito
fundamental à existência digna e podem defender um direito próprio no judiciário por meio de ação.

Por enquanto, há uma confusão no Direito, no que diz respeito a entender o animal enquanto sujeito de direitos e autor de uma ação. Quando o animal é considerado o autor, somente ele é beneficiado com a indenização. Mas se o tutor do animal é o autor, quem ganha o dinheiro é o tutor, então ninguém garante que o dinheiro será usado apenas para benefícios do animal.

Novos direitos dos animais

Com os novos direitos, essa confusão tende a não acontecer, porque os animais passam a ser considerados como seres sencientes (capazes de sentir). Então o novo Código Civil deve dar mais importância ao bem-estar do animal. Se um casal tem um gato e se separa, por exemplo, deverá ser levado em conta o que o animal sente. Cada caso é analisado de forma isolada.

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