terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Projeto brasileiro traduz Libras simultaneamente com IA

Projeto brasileiro traduz Libras simultaneamente com IA
Bruno De Blasi

Projeto brasileiro traduz Libras simultaneamente com IA

Um tradutor simultâneo de Libras para textos e áudios em português ganhou destaque na premiação de um dos maiores eventos de inovação e tecnologia
do mundo, o SXSW. Desenvolvido em parceria entre o CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) e a Lenovo
, o projeto foi finalista na categoria Inteligência Artificial e abre portas para expandir a acessibilidade em plataformas de atendimento ao cliente, por exemplo.

A tecnologia inovadora interpreta e traduz a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para derrubar qualquer tipo de barreira nos diálogos. Esse processo acontece de maneira simultânea e em tempo real com auxílio de uma solução proprietária de IA que identifica os gestos individuais para contextualizá-los visualmente a partir de um conjunto de dados.

“O propósito deste projeto vai muito além de oferecer um novo serviço”, disse o gerente de ciência de dados do CESAR que co-liderou a iniciativa, Vitor Casadei. “Nós entendemos a importância da acessibilidade e inclusão e, juntamente com a Lenovo, buscamos desenvolver algo com impacto na sociedade.”


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Sem modelos de IA comerciais

O projeto é resultado de cinco anos de desenvolvimento e contou com uma equipe de 80 pessoas, incluindo cinco profissionais com deficiência auditiva. Ao Canaltech, o CESAR explicou que a ferramenta não utiliza modelos comerciais da OpenAI, Google
e afins. No lugar, os componentes são customizados e desenvolvidos exclusivamente para a solução.

Todo a iniciativa gira em torno de um grande desafio: trabalhar com uma grande quantidade de dados, como vídeos de diálogos e saudações, especialmente ao considerar as nuances dos sinais ou até mesmo as variações regionais.

Para isso, os desenvolvedores contaram com o auxílio da computação de borda para executar o modelo e interpretar os dados. Essa tecnologia, popularmente conhecida pelo termo em inglês “edge computing”, ajuda a processar as informações sem depender de um servidor de nuvem distante, muitas vezes localizados até em outros estados ou países.

“Embora a computação em nuvem seja uma opção, os servidores Edge fornecem maior velocidade e confiabilidade no local exato em que a IA é necessária”, explicou a instituição. “Depender exclusivamente da nuvem – e, consequentemente, da velocidade muito rápida da Internet – funciona em alguns casos, mas não em todos.”

Dos sinais para texto e áudio

O arcabouço garante que a ferramenta interprete os sinais feitos na frente de uma câmera para, posteriormente, fazer a tradução. O resultado é entregue em textos e áudios em português e possibilita que mesmo quem não entenda a língua de sinais consiga manter um diálogo sem ruídos com pessoas surdas.

“Essa solução de AI preenche lacunas de comunicação existentes, além de potencializar seu uso para acelerar o aprendizado de Libras, usando visão computacional para rastrear a precisão dos gestos e ‘instruir’ os usuários a fazerem ajustes”, apontou o diretor de P&D da Lenovo, Hildebrando Lima.

Tradutor de libras pode ser facilmente integrado

Apesar da apresentação na competição do SXSW 2024, o tradutor simultâneo de libras ainda não possui um aplicativo aberto ao público. Os desenvolvedores explicam que a solução está no processo final de testes e homologação, mas que deve ser lançada ainda em 2024 para o atendimento de suporte de laptops da Lenovo no Brasil.

Contudo, essa pode não ser a única aplicação do novo tradutor. Os responsáveis pelo projeto também apontam que o tradutor possibilita a integração com “qualquer outra solução por meio de APIs”. Ou seja, é possível levá-la para outros sites e aplicativos para oferecer mais acessibilidade a todos.

“Nosso objetivo sempre foi trazer inovação de ponta para nossos parceiros e contribuir significativamente para melhorar e inovar produtos e serviços por meio da tecnologia”, concluiu o presidente do conselho do CESAR, Giordano Cabral.

Leia a matéria no Canaltech
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