sábado, 17 de janeiro de 2026

Por que algumas nuvens desaparecem da atmosfera no eclipse solar

Por que algumas nuvens desaparecem da atmosfera no eclipse solar
Fidel Forato

Por que algumas nuvens desaparecem da atmosfera no eclipse solar

O eclipse solar provoca mudanças na atmosfera da Terra, como o resfriamento temporário de algumas regiões. Para entender melhor os impactos deste fenômeno, a NASA até já lançou foguetes em busca de pistas
. Agora, cientistas da Holanda descobriram que um tipo de nuvem simplesmente desaparece do céu, as nuvens do tipo cumulus rasos.

Quando a Lua passa em frente ao Sol no eclipse, a maioria das nuvens permanecem na atmosfera. Caso contrário, ninguém nunca mais reclamaria na internet que não viu o fenômeno por causa do tempo nublado
.

No caso das nuvens cumulus rasos, elas desaparecem antes mesmo do eclipse solar total. Basta que 15% ou mais do Sol seja obscurecido pela Lua que a dissipação começa, segundo estudo publicado na revista Communications Earth & Environment
.


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Tipo de nuvens afetadas

As nuvens do tipo cumulus são conhecidas por terem contornos nítidos e se formarem em baixas altitudes, com poucas centenas de metros. No caso das cumulus rasos, a base se encontra pouco acima da Camada Limite Planetária (CLP) e o topo não ultrapassa a camada de inversão dos ventos alísios. Elas são encontradas a partir de 1 km de altitude.

Sozinhas, estas nuvens não provocam fortes precipitações. No entanto, são parte do ciclo de vida de uma tempestade. O fenômeno é uma “evolução” de cumulus rasos para cumulus profundos e a posterior ocorrência de uma tempestade, quando os outros fatores estão alinhados.

Efeito do eclipse solar nas nuvens

No estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Técnica de Delft, foi possível observar, a partir de imagens coletadas durante diferentes eclipses solares
, que essas nuvens simplesmente desaparecem quando a radiação solar começa a diminuir.

No entanto, o porquê só foi explicado a partir de simulações computacionais. O uso do modelo revelou que, quando a luz solar é bloqueada, as temperaturas do solo caem, reduzindo as correntes ascendentes de ar quente que saem da superfície e vão para a atmosfera.

Essas correntes de ar quente são fundamentais na formação das nuvens cumulus, já que carregam o vapor d’água que se condensa em gotículas conforme sobem para altitudes mais frias.

Com o resfriamento do solo, essas correntes ascendentes cessam e as nuvens não conseguem se manter. Quando o Sol retorna e a superfície é novamente aquecida, novas nuvens cumulus se formam.

Risco da geoengenharia solar

Se a formação das nuvens é afetada por tampar uma pequena parte do Sol (cerca de 15%), os riscos da geoengenharia solar — tecnologia que busca controlar a temperatura na Terra, a partir da obstrução dos raios solares
— podem ser ainda mais difíceis de controlar e potencialmente mais perigosos do que se pensava.

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