sábado, 11 de julho de 2026

ONU pode investigar os efeitos da geoengenharia solar

ONU pode investigar os efeitos da geoengenharia solar
Fidel Forato

ONU pode investigar os efeitos da geoengenharia solar

Se depender da Suíça, a Organização das Nações Unidas (ONU) deve analisar os riscos, os benefícios e as incertezas envolvendo a geoengenharia solar
. Para ser mais específico, a ideia é debater o uso de tecnologias que aumentem a quantidade de luz solar refletida para o espaço antes de chegar à superfície, com a promessa de reduzir os efeitos do aquecimento global.

A proposta da Suíça em criar um comitê para estudar o tema deve ser debatida durante a Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, que começa nesta segunda-feira (26). O evento acontece na capital do Quênia, Nairóbi.

Vale lembrar que, em 2019, a Suíça já propôs a análise do uso da geoengenharia solar, mas o país não obteve maioria. Em especial, os Estados Unidos e a Arábia Saudita se opuseram.


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O que é geoengenharia solar?

Conhecida oficialmente como Modificação da Radiação Solar (SRM), esta forma de geoengenharia solar mais parece obra de ficção científica. O objetivo é reduzir a incidência de raios solares na superfície do planeta, através da pulverização massiva de partículas reflexivas na estratosfera. Parcialmente bloqueados, alguns raios voltam para o espaço, sem chegar ao solo.

Com a criação dessa espécie de manto artificial para cobrir o planeta, a expectativa é que os efeitos do aquecimento global
diminuam, já que o mundo, com menos incidência dos raios solares (e radiação), vai se tornar mais frio.

Embora possa fazer sentido logicamente, especialistas alertam para o fato da estratégia ser impossível de controlar. Com a ajuda dos ventos, essas partículas vão se espalhar, podendo criar áreas muito mais frias e desregulando padrões globais. Por exemplo, o Brasil ou qualquer outro país pode se tornar excessivamente frio.

Debate na ONU

Após receber críticas, autoridades da Suíça defenderam a importância dos estudos na área da geoengenharia solar. O embaixador suíço Felix Wertli explicou que um comitê deve servir para que todos os países conheçam os possíveis riscos e os efeitos transfronteiriços da eventual aplicação da tecnologia
, segundo o jornal The Guardian
.

Por outro lado, especialistas e ambientalistas consideram que este tema não deve ser debatido diante de tantos riscos. Afinal, o planeta já está enfrentando problemas causados pela ação humana, como o excesso de gás carbônico na atmosfera, e não precisa de mais um problema associado com a ação antrópica.

Os riscos superam os potenciais benefícios, assim como ocorre em relação à eugenia, à clonagem humana e ao desenvolvimento de armas químicas e nucleares, segundo os opositores ao debate na ONU.

Leia a matéria no Canaltech
.

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