O avanço da medicina nuclear tem ampliado as possibilidades de diagnóstico e tratamento do câncer de próstata, uma das doenças mais frequentes entre os homens no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Entre os recursos disponíveis estão exames que ajudam a localizar tumores com maior precisão e terapias direcionadas a células cancerígenas em casos específicos.
Um dos principais avanços é o PET/CT com PSMA, exame que combina imagens anatômicas e moleculares para identificar regiões suspeitas de câncer. A tecnologia pode auxiliar na avaliação da extensão da doença e na investigação de recidivas, quando há suspeita de retorno do tumor após o tratamento.
A médica nuclear Cristina Matushita pesquisa o tema desde o mestrado concluído em 2018, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Ela também participou da implementação de uma terapia com lutécio-177 no Instituto do Cérebro (InsCer), da universidade, que realizou a primeira administração do medicamento na instituição em abril de 2025.
A abordagem, conhecida como teranóstico, combina diagnóstico e tratamento a partir de um mesmo alvo molecular. O lutécio-177 pode ser ligado a moléculas que reconhecem o PSMA e levam radiação às células tumorais. Um dos medicamentos que utiliza essa tecnologia é o Pluvicto, indicado para determinados pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração.
Apesar dos avanços, os procedimentos não são indicados para todos os pacientes. A escolha depende do estágio da doença, dos tratamentos anteriores, das condições clínicas e dos resultados dos exames. O PET/CT com PSMA complementa a avaliação médica, mas não substitui exames como PSA, avaliação clínica e biópsia quando necessária.
A terapia com radiofármacos também pode provocar efeitos adversos, incluindo fadiga, náuseas, alterações nas células sanguíneas e comprometimento das glândulas salivares ou da função renal. Por isso, a indicação exige avaliação especializada e acompanhamento médico durante o tratamento.