Uma vocação disfarçada de hobby muda a vida de estudante que passava horas desenhando no computador em casa, até descobrir na educação profissional que seu passatempo poderia virar profissão. Foi o que aconteceu com um estudante Lorenzo de Souza Rocha, de 16 anos. Cresceu fascinado pela cultura pop sem imaginar que um dia aquela paixão viraria formação técnica.
Ele passava horas desenhando personagens no computador da mãe, sem saber que aquilo tinha futuro. Até que, no curso técnico de uma escola da Rede Estadual, em Campo Grande, ele descobriu que essa paixão tinha nome, método e mercado. E isso mudou a forma como a família enxergava seu talento.
A virada aconteceu na Escola Estadual Vespasiano Martins, durante o Curso Técnico em Computação Gráfica oferecido em parceria com o Senac no 1º ano do Ensino Médio. Hoje, ele aprende mais sobre aplicativos de design gráfico e edição de imagens, e produz quadrinhos inspirados nos animes que admira e acompanha desde criança.

Cena que as famílias reconhecem
Ele não larga o desenho. Copia personagens de anime, cria quadrinhos, passa tardes inteiras na frente da tela. Em casa, ninguém sabe muito bem o que fazer. Se é distração, uma fase ou algo mais. “O curso é a realização de um sonho e também uma prova de que sou capaz de mostrar que consigo ser bom naquilo que me faz feliz”, conta ele.

Para o professor Gabriel Medeiros, instrutor do Senac, o gosto de Lorenzo não atrapalha, ajuda. “A gente consegue contextualizar o conteúdo técnico a partir do que ele já ama, e com essa empolgação ele embasa muito bem a parte técnica”.
E tem um detalhe que costuma surpreender as famílias. “Apesar de serem nativos digitais, muitos chegam com pouco contato com o computador. Aqui eles aprendem a autonomia digital e a parte técnica ao mesmo tempo”, explica o professor.
Um caminho em três etapas
A formação acompanha os três anos do Ensino Médio. Primeiro vem o design gráfico. Depois, produção de áudio e vídeo. No último ano, animação e modelagem 3D para jogos, curtas e propaganda.
Ao final, o estudante sai com diploma do Ensino Médio e técnico nas mãos. E um portfólio que já fala por ele. Lorenzo é o primeiro da família a ter contato profissional com tecnologia. A mãe, dona Laura, ajudou a descobrir a paixão. A escola mostrou o caminho.
Hoje, ele mesmo indica aos amigos. “Esse curso tem ótima tecnologia e orienta para o mercado de trabalho,” revela.

Números que comprovam a história
Atualmente, 118 estudantes estão matriculados nos cursos de tecnologia da educação profissional na EE Vespasiano Martins. A escola conta com 56 estudantes no Curso Técnico em Computação Gráfica e 62 no curso de Inteligência Artificial.
Escola pública e tecnologia podem e devem andar juntas. Prova disso é que, desde 2023, a parceria entre a EE Vespasiano Martins e o SENAC já formou 150 estudantes em seis turmas.
O Governo do Estado tem 55% dos alunos do ensino médio da Rede Estadual em cursos profissionalizantes, para que deixem a escola já com uma profissão e tenham a oportunidade de entrar no mercado de trabalho.
São 50 mil estudantes matriculados na Educação Profissional, com oferta universalizada nos 79 municípios do Estado, em um crescimento expressivo: as turmas atendidas saltaram de 1,1 mil para mais de 1,7 mil entre 2025 e 2026.
O que as famílias podem fazer
Se o seu filho vive desenhando, editando vídeos ou criando no computador, vale olhar isso com outros olhos. Converse com a escola e pergunte quais cursos técnicos estão disponíveis na sua região e como funciona a formação integrada ao Ensino Médio.
Na EE Vespasiano Martins a procura é tanta que já existe lista de espera. “Nós vemos que é uma grande oportunidade para o estudante e para a família,” resume o supervisor pedagógico Giuliano Lennon Borges.
Gilberto Junior, SED
Fotos: Reprodução SED
Fonte: Governo do Estado de MS