A Receita Federal apreendeu 76.112 canetas e ampolas de medicamentos para emagrecimento no primeiro semestre de 2026 na fronteira entre Brasil e Paraguai. O volume representa forte crescimento em relação a todo o ano de 2025, quando foram apreendidos 24.994 medicamentos à base de substâncias como semaglutida e tirzepatida.
Os produtos passaram a chamar a atenção da fiscalização diante do aumento da procura por medicamentos usados no controle do diabetes tipo 2 e também associados ao emagrecimento. Entre janeiro e fevereiro de 2025, as apreensões ainda eram consideradas pequenas. As primeiras grandes ocorrências foram registradas em março daquele ano, quando os produtos apreendidos somaram R$ 2.262,45.
Ao longo de 2025, o volume cresceu de forma expressiva. Em dezembro, as apreensões registraram alta de 1.136% em relação a março, e a maior ocorrência daquele ano envolveu produtos avaliados em R$ 2,79 milhões. No primeiro semestre de 2026, o valor estimado dos medicamentos apreendidos chegou a R$ 19,53 milhões.
O maior volume deste ano foi registrado em junho, quando 25.828 canetas e ampolas foram apreendidas, com valor estimado de R$ 4,29 milhões. Segundo informações da Receita Federal, os produtos chegam ao Brasil por diferentes meios, incluindo veículos de passeio, ônibus, caminhões e outros transportadores.
A diferença de preços entre os dois países é apontada como um dos fatores que ajudam a explicar o aumento da procura. Segundo os dados apresentados pela Receita, uma ampola de tirzepatida custa, em média, R$ 340 no Paraguai, enquanto o Mounjaro, medicamento comercializado regularmente no Brasil, pode ser encontrado por valores a partir de R$ 1.400.
Outro ponto destacado é que as marcas paraguaias apreendidas não possuem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização no Brasil. A fiscalização, portanto, passou a acompanhar não apenas a entrada dos produtos pela fronteira, mas também a forma como eles são oferecidos aos consumidores.