Sindicalista, militante negra e pioneira na luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas no país, Laudelina de Campos Mello é homenageada em uma exposição gratuita no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, em cartaz até o dia 22 de novembro.
Dignidade e luta é o nome da exposição e também resume a trajetória da mineira de Poços de Caldas, Laudelina de Campos Mello. Por meio de fotografias, documentos e objetos históricos, a mostra apresenta a história da militante que lutou contra a exploração e abusos de trabalhadoras domésticas e que fundou o primeiro sindicato da categoria no país.
Renata Sampaio, uma das curadoras da exposição, comenta que Laudelina batalhou a vida toda por direitos.
“Ela consegue muitos direitos da categoria, mas esses direitos de carteira assinada e Previdência Social, ela não consegue alcançar em vida. Tem aí a PEC das domésticas de 2013, a Laudelina morre em 1991. Essa PEC vai ser responsável pela conquista de vários direitos das trabalhadoras domésticas, e muito baseado no legado que Laudelina deixou”.
Nascida em 1904, Laudelina era filha de pais alforriados pela Lei do Ventre Livre. Já trabalhava com apenas sete anos e teve que deixar a escola para cuidar dos irmãos. Aos 16 anos, liderou uma agremiação da comunidade negra de Poços de Caldas, se filiou ao Partido Comunista Brasileiro, atuou na Frente Negra Brasileira e numa organização de apoio aos brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial.
Foi na cidade de Santos, em São Paulo, que Laudelina fundou a primeira associação de trabalhadores domésticos do Brasil, que foi fechada por Getúlio Vargas. Nos anos 60, fundou a Associação Profissional Beneficente das Empregadas Domésticas em Campinas, que se tornou sindicato da categoria em 1988.
A curadora Renata Sampaio destaca a visão política ampla de Laudelina, que via o descanso como direito e não como privilégio, e para quem a festa também era um espaço político.
“A gente tem algumas fotografias do baile Pérola Negra, foi um baile que a Laudelina organizou, que saiu no Jornal Cruzeiro, a manchete é que acabou todas as lantejoulas e paetês de Sorocaba, onde foi feito o baile. É um tipo de imagem que quando a gente pensa em populações negras no Brasil a gente vê pouco, né? Esses lugares do glamour e da festa”.
Laudelina de Campos Mello morreu em 1991, aos 86 anos. Em 2005, ela recebeu o grau póstumo de Cavaleira da Ordem do Mérito do Trabalho, e em 2023 seu nome passou a integrar o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Fonte: Radioagência Nacional – EBC