Ampliar o ensino em tempo integral em Mato Grosso do Sul é uma das estratégias apresentadas pelo governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, para avançar na educação pública. O desafio agora está principalmente nas redes municipais, responsáveis pela maior parte das creches, da pré-escola e dos anos iniciais do ensino fundamental.

Em 2024, 71% das escolas públicas do Estado tinham pelo menos um estudante em jornada de sete horas ou mais. Quando o dado considera os alunos, porém, o percentual cai para 17%, abaixo da meta estadual de 25%. Para Riedel, a expansão precisa ocorrer em parceria com as prefeituras, com apoio técnico, formação e acompanhamento dos resultados.

A proposta também envolve ampliar o atendimento desde a primeira infância. Em 2024, 93% das crianças de 4 e 5 anos estavam na pré-escola, enquanto a cobertura de creches para crianças de até 3 anos chegava a 39%. Como essas etapas estão majoritariamente sob responsabilidade dos municípios, a ampliação depende da capacidade de cada rede.

Outra frente é o MS Alfabetiza, que reúne Estado, municípios e Undime-MS em ações de formação de professores, avaliações e acompanhamento pedagógico. Em 2025, 66% das crianças sul-mato-grossenses estavam alfabetizadas, segundo os dados apresentados no programa.

A presidente da Undime-MS, Silvia Freire, defende que o aumento da jornada seja acompanhado por estrutura, profissionais preparados, alimentação e atividades pedagógicas adequadas. A discussão, portanto, envolve não apenas manter os alunos mais tempo na escola, mas garantir que o período adicional resulte em aprendizagem.

Na estratégia defendida por Riedel, o Estado atua na coordenação e no suporte às redes municipais, enquanto os municípios organizam a oferta conforme as características e necessidades de cada cidade. O objetivo declarado é ampliar o atendimento integral sem separar a expansão das vagas da qualidade do ensino.