O professor de 50 anos do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) que foi preso após ser encontrado com quatro adolescentes e bebidas alcoólicas dentro de um carro foi afastado cautelarmente das funções. A medida foi adotada pela instituição após a direção-geral do campus tomar conhecimento da ocorrência, no dia 3 de setembro. O caso aconteceu no interior de Mato Grosso do Sul e é investigado pela Polícia Civil.
A prisão ocorreu na madrugada de 26 de agosto, depois que a Polícia Militar foi acionada por moradores que teriam visto duas adolescentes entrando em uma quitinete e gritando por socorro. Durante a abordagem, os policiais encontraram o professor e quatro adolescentes, de 11, 13, 14 e 17 anos, no veículo. Uma das meninas teria jogado uma lata de cerveja pela janela, e os militares identificaram sinais de embriaguez no motorista.
O professor se recusou a realizar o teste do bafômetro. Dentro do veículo, foram encontrados um copo com vodka e energético, além de uma caixa térmica com uma garrafa de vodka parcialmente consumida, um energético aberto e uma garrafa de vinho. O carro também foi levado ao pátio do Detran-MS porque estava com a documentação vencida.
De acordo com o registro policial, duas das adolescentes relataram que o professor teria levado as meninas a um estabelecimento para comprar um celular e, posteriormente, seguido com elas em direção à própria residência. Durante o trajeto, ele teria apertado o braço das adolescentes, deixando marcas de vermelhidão constatadas pelos policiais.
Ainda conforme o boletim de ocorrência, uma das adolescentes afirmou que costumava sair com o professor para festas e baladas e que ele teria pedido que ela convidasse outras amigas. Os policiais também apreenderam dois celulares que seriam utilizados para comunicação com as adolescentes e localizaram informações sobre um grupo em rede social usado, segundo os relatos registrados na ocorrência, para organizar saídas.
Após a prisão, o professor passou por audiência de custódia. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul se manifestou pela liberdade provisória mediante fiança e aplicação de medidas cautelares, enquanto a Justiça concedeu a liberdade sem pagamento de fiança. Em decisão, o magistrado apontou que havia elementos de materialidade e indícios de autoria, mas entendeu não estarem demonstrados naquele momento os requisitos para a prisão preventiva.
O IFMS informou que determinou o afastamento cautelar do servidor como medida preventiva e também adotou providências correcionais para apurar os fatos e eventual responsabilidade funcional. A instituição destacou que o episódio teria ocorrido fora de suas dependências e sem envolvimento de estudantes do instituto, e afirmou que serão assegurados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa durante a apuração.
O Conselho Tutelar acompanhou as adolescentes durante os procedimentos na delegacia. A Polícia Civil deverá prosseguir com a investigação para esclarecer as circunstâncias da ocorrência e eventual responsabilidade pelos fatos relatados.
Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e para preservar as adolescentes envolvidas, a cidade onde ocorreu o caso não é divulgada.