A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal continua nesta terça-feira (15) em Mato Grosso do Sul, com o plano de saúde como principal ponto de impasse entre os trabalhadores e o banco. Segundo o Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região, todas as agências da Caixa no Estado permanecem afetadas pela paralisação enquanto a categoria aguarda uma nova proposta da instituição.

A presidente do sindicato, Neide Maria Rodrigues, afirmou que os trabalhadores são contrários à mudança nas regras de custeio do plano. A proposta apresentada pela Caixa prevê diferenciação dos valores conforme a idade dos empregados. Atualmente, segundo a entidade, o modelo é solidário, sem cobrança diferente para trabalhadores mais novos e mais velhos.

A preocupação é maior entre aposentados e funcionários com mais idade, que poderiam ter aumento nas despesas. “Queremos a manutenção do plano de saúde e não queremos a diferenciação de custo para quem é mais velho e para quem é mais novo”, afirmou Neide.

Outra reivindicação é a retomada do modelo de divisão dos custos em que a Caixa arcava com 70% das despesas do plano, enquanto os empregados pagavam os outros 30%. Na base do Sindicato dos Bancários de Campo Grande e região, são cerca de 700 trabalhadores da Caixa, sendo aproximadamente 400 na Capital.

A campanha salarial começou com a entrega da pauta nacional de reivindicações em junho e teve negociações ao longo de julho e agosto. Os trabalhadores pediram reajuste equivalente à inflação mais 5% de ganho real. A proposta apresentada pelos bancos ficou em inflação mais 0,6%. Segundo o sindicato, porém, a questão salarial não é o principal obstáculo nas negociações específicas com a Caixa.

O impasse ganhou força após o fim da vigência da convenção coletiva, quando a Caixa informou que não manteria automaticamente algumas condições anteriores. Os sindicatos cobraram a retomada das negociações e criticaram a possibilidade de judicialização. “A melhor saída é a negociação, e não a ameaça de judicialização. A judicialização não é boa para ninguém”, disse Neide.

No domingo (13), a Caixa aceitou reabrir a mesa de negociação coletiva com as entidades representativas e suspendeu medidas administrativas anunciadas anteriormente. O banco também informou que adotará providências para prorrogar excepcionalmente os benefícios dos empregados, mantendo as condições vigentes antes de 31 de agosto de 2026 enquanto as negociações estiverem em andamento.

Segundo o sindicato, benefícios como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche e auxílio-babá foram mantidos em acordos envolvendo outras instituições financeiras. Por isso, a pendência que mantém a mobilização está concentrada nas negociações entre os empregados e a Caixa.