O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, deu prazo de 72 horas para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre o pedido da Advocacia-Geral da União de suspensão do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo próprio Mendonça, nesta terça-feira, a pedido do Partido Novo.

A AGU pediu também o retorno do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.

A Advocacia-Geral afirmou a Fachin que a decisão viola a prerrogativa constitucional do Presidente da República para preencher os cargos de direção da Polícia Federal.

Vence também nesta sexta-feira o prazo dado por Fachin para que os ministros Mendonça e Alexandre de Moraes deem explicações sobre a divulgação de relatórios da PF e pedidos mútuos de investigação.

O afastamento de Andrei Rodrigues foi criticado pelas associações nacionais dos delegados e dos peritos criminais da PF, que classificaram o momento como uma “grave crise institucional”.

As entidades defenderam que a medida só poderia ser tomada pelo plenário do Supremo, e não de forma monocrática.

Além disso, 11 diretores da Polícia Federal divulgaram uma carta manifestando total apoio ao diretor-geral Andrei Rodrigues.

Eles colocaram os cargos à disposição do diretor interino da PF, William Marcel Murad.

O episódio também provocou reação entre entidades da sociedade civil.

Mais de 20 organizações, entre elas as seccionais da OAB de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, e a UNE, lançaram um manifesto em defesa da Justiça e pela reforma do Judiciário.

Em Brasília, a OAB-DF abriu procedimento ético-disciplinar contra os sócios do escritório Barci de Moraes Advogados, da família de Alexandre de Moraes, incluindo a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

A medida ocorreu após a divulgação por Mendonça de relatórios da PF com mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Também foi aberto procedimento contra o advogado Ciro Soares, que aparece nas mensagens.

A crise no STF também repercutiu no meio empresarial.

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que o Brasil enfrenta um teste de integridade inédito, com sucessivas crises em Brasília que colocam as instituições em risco.

Segundo a CNI, os episódios recorrentes podem levar o país a uma situação de especial gravidade.

A entidade afirmou que questões políticas, eleitorais ou crises institucionais não podem travar o desenvolvimento do país.

Fonte: Radioagência Nacional – EBC