Um estudante da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) voltou a ser preso preventivamente em Campo Grande após novas informações surgirem durante a investigação que apura o armazenamento de material de abuso sexual infantil. A nova prisão ocorreu na quarta-feira (2), no mesmo dia em que universitários entregaram à instituição um abaixo-assinado pedindo a expulsão do aluno.
O estudante, vinculado à Faculdade de Computação (Facom), havia sido preso em flagrante na sexta-feira (29), durante a Operação Infância Segura, realizada pela Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Na ocasião, os investigadores localizaram cerca de 3 mil arquivos com conteúdo de abuso sexual infantil em dispositivos eletrônicos atribuídos ao investigado.
Após a primeira prisão, ele recebeu liberdade provisória mediante monitoramento por tornozeleira eletrônica. Segundo o MPMS, porém, o avanço da apuração revelou novos elementos que levaram o órgão a pedir a prisão preventiva. O mandado foi expedido pela Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente (Veca).
A decisão considera a necessidade de preservar a ordem pública e garantir o andamento da investigação. Também foram apontados riscos relacionados à coleta de provas e à possibilidade de interferência no trabalho das autoridades enquanto o caso ainda está em apuração.
A prisão ocorreu no mesmo dia em que estudantes da UFMS entregaram à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis um abaixo-assinado solicitando a expulsão do universitário. O documento questiona a permanência dele na instituição e contesta argumentos apresentados pela defesa durante o caso.
A investigação apura o crime previsto no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que trata de adquirir, possuir ou armazenar registros com cenas de sexo explícito ou material pornográfico envolvendo crianças ou adolescentes. Conforme o MPMS, trata-se de crime permanente enquanto os arquivos permanecem armazenados, o que permite a caracterização do flagrante quando o conteúdo é localizado durante uma busca.
As investigações começaram após uma ronda virtual realizada pela UICC, que identificou a presença de material ilícito na internet. A partir disso, os investigadores adotaram medidas para chegar ao responsável e apreender equipamentos que poderiam conter os arquivos. A ação teve apoio da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente.
O caso continua sob investigação e o estudante é considerado investigado, não condenado. A universidade também deverá analisar o caso dentro dos procedimentos administrativos cabíveis.