O preço de até três vezes menor que o praticado no Brasil está levando consumidores a olhar para o outro lado da fronteira em busca de versões de tirzepatida, princípio ativo de medicamentos usados no tratamento da obesidade e do diabetes. No Paraguai, pelo menos seis grupos farmacêuticos produzem e vendem versões próprias da substância dentro das regras locais, com apresentações que podem custar a partir de cerca de R$ 230.

Entre os produtos encontrados no mercado paraguaio estão Gluconex, Tirzedral, Lipoless, Tirzec, T.G. e Lipoland. Dependendo da dose e da apresentação, os preços chegam a aproximadamente R$ 900. No Brasil, o Mounjaro, produzido pela Eli Lilly, pode custar entre R$ 1.300 e R$ 3.000 por mês, o que ajuda a explicar o interesse de consumidores brasileiros pelas alternativas encontradas no país vizinho.

A existência desses medicamentos no Paraguai, porém, não significa que eles tenham autorização para serem vendidos no Brasil. A patente da tirzepatida é protegida no território brasileiro, enquanto a legislação de patentes segue o princípio da territorialidade. No Paraguai, a fabricação é fiscalizada pela Dirección Nacional de Vigilancia Sanitaria (Dinavisa), responsável pela regulação sanitária local.

O problema começa quando produtos sem registro ou autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) entram no Brasil de maneira irregular. Nesses casos, a mercadoria pode ser apreendida e a entrada clandestina pode configurar contrabando. Além da questão legal, existe o risco relacionado à qualidade e à concentração do princípio ativo.

Segundo informações divulgadas pela Exame, um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) encontrou variações de 20% a 60% na concentração de tirzepatida em amostras paraguaias. Para a Anvisa, o registro sanitário não é apenas uma formalidade: o processo avalia segurança, eficácia e qualidade antes que um medicamento seja autorizado para uso no país.

Com a explosão da procura pelas chamadas canetas emagrecedoras, a diferença de preço transformou a fronteira em um mercado cada vez mais atrativo para quem busca alternativas ao tratamento disponível no Brasil. Especialistas, no entanto, recomendam que pacientes não escolham o medicamento apenas pelo preço e procurem orientação médica, além de adquirir produtos de procedência conhecida e autorizados pelos órgãos sanitários.