A Polícia Civil descobriu que o jovem Vitor, assassinado a tiros em uma garagem de veículos em Dourados, foi morto por engano durante uma execução encomendada. O verdadeiro alvo havia marcado um encontro no mesmo local e horário, mas se atrasou e acabou não estando na garagem quando os atiradores chegaram. Agora, a polícia procura dois suspeitos que continuam foragidos.
O crime aconteceu no bairro Jardim Água Boa e foi registrado por câmeras de segurança. Vitor estava acompanhado do pai quando foi atingido pelos disparos. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
Segundo o delegado Lucas Veppo, a investigação avançou após a família entregar o celular e o computador da vítima. Os investigadores encontraram uma conversa sobre a negociação de um veículo em que um encontro havia sido marcado justamente na garagem, no horário em que Vitor foi morto. A polícia, porém, não encontrou indícios de que o jovem tivesse envolvimento com atividades ilícitas ou qualquer desentendimento que pudesse explicar o ataque.
A apuração apontou que os criminosos receberam uma fotografia do verdadeiro alvo e foram informados de que ele estaria no local. Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, teria efetuado os disparos. Ele foi preso em Ponta Porã e contou que havia chegado de Brasília meses antes para atuar no transporte de drogas e que teria recebido a missão de matar alguém para quitar uma dívida.
O erro teria ocorrido no momento do reconhecimento. Alexander Gonçalves Borges, de 27 anos, apontado como piloto da motocicleta usada no crime, seria responsável por confirmar a identidade do alvo. Conforme a polícia, ele estava sob efeito de drogas e não conseguiu fazer o reconhecimento corretamente. Com base nas informações disponíveis, Denis desceu da moto e atirou contra Vitor.
Dívida ultrapassava R$ 300 mil
A investigação chegou ao homem que seria o verdadeiro alvo e descobriu uma possível motivação para a execução. Segundo a polícia, ele mantinha uma relação antiga com Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, empresário e dono de uma academia em Ponta Porã.
Os dois teriam histórico de envolvimento com o tráfico de drogas e já haviam sido presos juntos. Recentemente, Cláudio teria contraído uma dívida inicialmente estimada em R$ 250 mil com o homem que seria alvo da execução. O valor, segundo a investigação, teria ultrapassado R$ 300 mil.
Para a polícia, o desacerto financeiro pode ter motivado a organização da emboscada. A hipótese, no entanto, ainda é investigada.
Polícia procura dois suspeitos
Quatro pessoas estão detidas: Cláudio, Denis, Alexander e o adolescente de 17 anos que teria furtado a motocicleta utilizada pelos executores e indicado o endereço da garagem.
Outros dois suspeitos continuam foragidos. São Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos. Segundo a Polícia Civil, ambos teriam participado da organização da execução, transportado os pistoleiros até Dourados e permanecido nas proximidades para acompanhar a ação.
A polícia pede a ajuda da população para localizar os dois homens. Informações que possam contribuir com as investigações podem ser repassadas ao Setor de Investigações Gerais (SIG) de Dourados pelo telefone (67) 99987-9826.