O Grupo Casas Bahia fechou mais duas lojas em Mato Grosso do Sul, elevando para sete o número de unidades encerradas no Estado, enquanto enfrenta uma dívida de R$ 17,3 bilhões e entrou com pedido de recuperação judicial na noite deste domingo (16). A medida ocorre após a varejista anunciar uma ampla reestruturação, que inclui o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários em todo o país.

Em Mato Grosso do Sul, as unidades fechadas estão em Dourados (duas), Três Lagoas, Naviraí, Ponta Porã, Nova Andradina e Campo Grande. Na Capital, a loja localizada em um shopping na região do Nova Lima encerrou as atividades. Com os novos fechamentos, o Estado acompanha a redução da presença física da rede, que passa por um dos momentos mais delicados de sua operação.

O pedido de recuperação judicial envolve dez empresas do grupo, incluindo as responsáveis pelas marcas Casas Bahia e Ponto Frio, além do e-commerce Extra.com e da fabricante de móveis Bartira. Segundo informações divulgadas pela empresa, aproximadamente 3 mil dos 30,1 mil funcionários serão desligados e quase 300 das mais de 700 lojas físicas do país deixarão de funcionar.

A companhia atribui a crise financeira a uma combinação de fatores, entre eles investimentos em tecnologia, logística e digitalização iniciados em 2019, os impactos da pandemia sobre as lojas físicas e o aumento da taxa básica de juros, que elevou o custo do crédito e pressionou a estrutura financeira da empresa.

O cenário se agravou após a Casas Bahia registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano, no que representa o oitavo trimestre consecutivo de resultado negativo. A empresa afirma que a redução da operação ocorre diante de um cenário desfavorável para o varejo de bens duráveis, marcado pelo crédito mais caro e pela menor capacidade financeira dos consumidores.

Em Campo Grande, funcionários relataram ter sido surpreendidos pelo anúncio dos desligamentos. Um trabalhador que atuava havia dois anos na empresa contou que a quinta-feira (13) transcorreu normalmente, mas uma reunião foi marcada para a manhã seguinte. Os nomes dos funcionários desligados foram apresentados durante o encontro.

A recuperação judicial é utilizada pelas empresas como mecanismo para reorganizar dívidas e buscar condições para manter suas atividades enquanto negocia com credores. O processo agora deverá passar pela análise da Justiça, que avaliará o pedido apresentado pelo grupo.

A redução da rede física, portanto, ocorre ao mesmo tempo em que a empresa busca reorganizar sua estrutura financeira. Para os consumidores de Mato Grosso do Sul, o fechamento das sete unidades representa uma mudança na presença da marca em cidades importantes do Estado, enquanto as operações que permanecerem abertas e os canais digitais seguem sujeitos ao plano de reestruturação da companhia.