Cinco pessoas são alvo de mandados de prisão preventiva nesta quinta-feira (13) durante a segunda fase da Operação Auditus, deflagrada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para investigar suspeitas de fraude na contratação e prestação de serviços médicos em Nioaque. Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em cinco municípios do Estado.

As ordens judiciais são cumpridas em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna. A operação reúne equipes do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque.

Segundo o Ministério Público, a investigação começou a partir de suspeitas envolvendo licitações da Prefeitura de Nioaque para contratação de uma empresa responsável por consultas, exames e outros procedimentos médicos. A análise dos documentos apreendidos na primeira fase e de novas informações teria revelado indícios de um esquema estruturado para direcionar contratações, pagar por serviços que não teriam sido realizados e desviar recursos públicos.

A primeira etapa da Operação Auditus ocorreu em julho de 2025, com o cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão em Nioaque, Bonito e Jardim. Na ocasião, a estimativa era de que o possível prejuízo aos cofres públicos ultrapassasse R$ 3 milhões. Com o avanço das apurações, o valor estimado já supera R$ 4 milhões, conforme o MPMS.

Um dos principais pontos identificados na investigação envolve a realização de exames e consultas que teriam sido cobrados do município sem que os atendimentos fossem efetivamente realizados. De acordo com o MPMS, cerca de 83% dos procedimentos pagos pela Prefeitura de Nioaque teriam sido simulados por meio da falsificação de documentos.

Ainda conforme o Ministério Público, os gastos municipais com serviços médicos aumentaram 1.713% entre 2022 e 2025, período analisado na investigação. O suposto esquema envolveria agentes públicos e particulares, com indícios de pagamento de vantagens indevidas para viabilizar as irregularidades.

As investigações também apontam, segundo o MPMS, que o grupo teria tentado ampliar o esquema para outros municípios de Mato Grosso do Sul. A nova fase busca aprofundar a apuração, identificar todos os envolvidos e reunir elementos sobre a extensão dos possíveis desvios.

O nome da operação faz referência à palavra latina auditus, que significa “audição”. A denominação está relacionada ao início das investigações, quando foram identificadas suspeitas envolvendo exames auditivos, entre eles a triagem auditiva neonatal, conhecida como teste da orelhinha. Com o avanço das apurações, porém, outros exames e serviços médicos passaram a ser investigados.

Até o momento, o MPMS não informou a identidade dos alvos das prisões. A operação segue em andamento nos cinco municípios.