quarta-feira, 15 de julho de 2026

Boto Gelato transforma sabores amazônicos em marca nacional de bioeconomia

Quando abriu as portas da gelateria pioneira na Amazônia, em 2016, o engenheiro de produção Tiago Silva sabia que precisaria ir além da venda de sorvetes. A proposta da Boto Gelato da Amazônia era transformar sabores regionais em experiência cultural e posicionar ingredientes amazônicos como protagonistas de um negócio inovador. Quase dez anos depois, a empresa se consolidou como referência em Santarém e Alter do Chão, unindo gastronomia, turismo e bioeconomia em uma marca reconhecida nacionalmente.

Atualmente, a Boto Gelato integra a Oka Hub – Incubadora da Floresta, iniciativa apoiada pelo Sebrae voltada à aceleração de negócios ligados à sociobiodiversidade amazônica. Por meio da incubadora, o empreendimento recebe acompanhamento estratégico em áreas como gestão, posicionamento de mercado, inovação e expansão comercial. A empresa opera duas lojas, emprega 15 colaboradores e registrou crescimento de 35% no faturamento no último ano, além de preparar novos passos de expansão para o varejo e outros mercados brasileiros.

A trajetória do empreendimento se diferencia pela capacidade de transformar a Amazônia em linguagem de marca. Os sabores, os nomes dos produtos, a identidade visual e os espaços das lojas são inspirados na biodiversidade, nas lendas e nos símbolos culturais da região.

“Desde o começo, eu não enxerguei a Boto só como uma gelateria. Ela é uma forma de contar a Amazônia. Cada sabor é uma maneira de apresentar o território e fazer as pessoas entenderem a riqueza que existe aqui”, afirma Tiago Silva. “O Sebrae teve um papel importante ao conectar a Boto com oportunidades, visibilidade e estratégias de crescimento sem que a gente precisasse perder nossa identidade amazônica”, destaca o empreendedor.

Tapioca, castanha, cumaru e açaí inspiram os sabores criados pela Boto Gelato | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Sabores amazônicos ganham escala

Para transformar ingredientes da floresta em gelatos artesanais de alta qualidade, Tiago buscou formação técnica especializada, incluindo cursos na Itália voltados à produção de gelato. O aprendizado serviu de base para o desenvolvimento de receitas autorais adaptadas tanto às características dos insumos amazônicos quanto aos desafios logísticos da região Norte.

“Existe muita técnica, estudo e pesquisa por trás de cada sabor. Mas também existe coragem de acreditar que aquilo que nasce na Amazônia pode competir em qualquer mercado”, destaca. O resultado desse trabalho ajudou a consolidar a Boto Gelato como um dos atrativos gastronômicos de Santarém, conquistando espaço em roteiros turísticos e plataformas de avaliação.

Para o empreendedor, o reconhecimento reforça o potencial dos negócios amazônicos de crescer sem abrir mão de suas raízes. “Existe muito preconceito com os produtos da região Norte. Mas quando as pessoas provam, elas entendem a potência que existe aqui. Nosso objetivo é justamente fazer a Amazônia ser reconhecida pela inovação, pela cultura e pelos sabores que ela produz”, afirma.

No Mercadão 2000, Kelly Reis fornece frutas regionais que ajudam a dar sabor aos gelatos da Boto | Foto: Rafa Neddermeyer/Âgencia Brasil

Do Mercadão 2000 para o gelato

Outro diferencial do negócio é a conexão com produtores locais e cadeia da bioeconomia regional. A empresa mantém relação com pequenos produtores, feirantes e cooperativas que fornecem ingredientes amazônicos. Segundo Tiago, isso é parte central da proposta da marca. “A bioeconomia acontece em rede. Quando compramos desses produtores, ajudamos a movimentar uma cadeia inteira que depende da floresta em pé e da valorização do território”, afirma.

Antes de se transformarem em sabores que encantam turistas e moradores de Santarém, muitas das frutas utilizadas pela Boto Gelato passam pelo Mercadão 2000, considerado o maior centro de abastecimento do Baixo Amazonas. Criado em 1985, o espaço reúne atualmente 245 associados da Associação dos Produtores Rurais de Santarém (Aprusan) e se consolidou como um importante elo entre a agricultura familiar da região e os empreendimentos locais. É ali que o empreendedor Tiago busca, com frequência, ingredientes típicos da Amazônia para abastecer a produção da gelateria.

Entre os fornecedores está a feirante Kelly Reis, que há mais de 18 anos trabalha no Mercadão e prioriza a comercialização de frutas nativas, muitas delas produzidas em sua comunidade, Boa Fé, em Mojuí dos Campos, ou fornecidas por agricultores parceiros de localidades vizinhas. Para ela, quando negócios como a Boto Gelato escolhem comprar diretamente dos pequenos produtores, o benefício se espalha por toda a cadeia.

“É uma satisfação. Quando eles usam nossas frutas nos sorvetes e em outros produtos, mais pessoas passam a conhecer os sabores da região e vêm procurar essas frutas aqui na feira também. Acaba gerando retorno para todo mundo”, afirma a comerciante.

Bruno Quick (esquerda), diretor técnico do Sebrae, em visita ao Oka Hub | Foto: AD Produções

Oka Hub fortalece startups da bioeconomia amazônica

Criada em 2025 pelo Sebrae, a Oka Hub – Incubadora da Floresta, que tem sua base física em Belterra (PA), reúne 11 startups voltadas à bioeconomia amazônica e já contribuiu para um aumento médio de 150% no faturamento dos negócios incubados. O ecossistema conecta 155 pesquisadores, destinou R$350 mil em bolsas para empreendedores e apoia o desenvolvimento de seis patentes. A iniciativa apoia negócios de diferentes segmentos da bioeconomia, incluindo biotecnologia, alimentos amazônicos, biocosméticos e soluções sustentáveis.

Especial ASN – Amazônia que gera valor

A Agência Sebrae de Notícias apresenta série especial sobre a atuação do Sebrae no Baixo Amazonas e os impactos da bioeconomia amazônica no fortalecimento dos pequenos negócios. Nas próximas matérias, serão apresentadas outras histórias de empreendedores e iniciativas apoiadas por consultorias e projetos do Sebrae, com destaque para turismo sustentável, design amazônico, inovação e valorização da sociobiodiversidade.


Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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